O presidente da Argentina, Mauricio Macri, alertou para as consequências econômicas de uma eventual vitória da oposição ‘kirchnerista’ nas eleições presidenciais de outubro, ao comentar nesta segunda-feira os resultados das primárias, que derrubaram o peso e a Bolsa.

“Isto é apenas uma mostra do que vai acontecer. Isso é pelo passado, há muita gente que não deixa seu dinheiro neste país, que vai embora deste país. O que pode acontecer é horrível”, declarou Macri em coletiva de imprensa com seu companheiro de chapa, Miguel Ángel Pichetto.

“Venho dizendo isso há três anos e meio. Não podemos voltar ao passado, porque o mundo vê isso como o fim da Argentina. O tema é que o ‘kirchnerismo’ já governou, o mundo conhece o que fez”, acrescentou o presidente liberal, referindo-se às políticas protecionistas de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).

A moeda argentina caiu 18,76%, a 57,30 pesos por dólar, nesta segunda-feira em relação ao seu fechamento de sexta-feira, e a Bolsa de Buenos Aires recuou 37,93%, em uma sessão marcada pelo nervosismo, após o kirchnerista Alberto Fernández vencer as primárias com 47% dos votos, frente a 32% de Macri. Com candidaturas definidas de antemão, as primárias servem como uma pesquisa de escala real.

Se o resultado se repetir em outubro, Fernández pode ganhar já no primeiro turno. Para isso, é preciso obter 45% dos votos, ou 40% se tiver mais de 10 pontos à frente do segundo colocado.

Um eventual segundo turno ocorrerá em 24 de novembro, e o próximo presidente deve assumir em 10 de dezembro.

“A alternativa ‘kirchnerista’ não tem credibilidade no mundo”, atacou Macri.

Desde que assumiu, em dezembro de 2015, o presidente revogou as políticas de sua antecessora, com abertura aos mercados, mas o país enfrenta uma severa crise econômica, com recessão, inflação elevada e aumento da pobreza.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda que o retorno do ‘kirchnerismo’ ao poder na Argentina pode causar uma onda de refugiados semelhante à que o Brasil enfrenta em sua fronteira com a Venezuela.

“Não queremos isso: irmãos argentinos fugindo para cá”, declarou Bolsonaro, que também é um duro crítico de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. “Se essa ‘esquerdalha’ voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo estado de Roraima”.