Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficaram incomodados com a articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o afastamento do ministro Dias Toffoli, após as revelações do Caso Master. De acordo com fontes da Corte, a ação foi vista como uma tentativa de interferência direta no Judiciário e foi logo rechaçada pelos magistrados.
As investigações da Polícia Federal apontam que Toffoli tinha relação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro era sócio de um resort no interior do Paraná comprado por um fundo de investimentos ligados ao banqueiro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel. As revelações obrigaram o ministro a deixar a relatoria do caso Master na Suprema Corte.
Nos bastidores, Lula tentou enviar emissários para convencer Toffoli a se afastar da Corte até que a poeira sobre o Master abaixasse. Alguns interlocutores do Planalto, inclusive, defenderam a renúncia do ministro, após a Polícia Federal entregar um documento nas mãos do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apontando uma possível suspeição de Dias Toffoli no caso.
A articulação do petista passou longe de ser bem vista nos bastidores da Corte. Interlocutores do STF avaliam que Lula deveria cuidar das demandas do Palácio e deixar que as divergências do Judiciário sejam resolvidas internamente.
“Ele cuida da própria toca e nós cuidamos da nossa”, disse um interlocutor, sob reserva.
Como mostrou a IstoÉ, interlocutores do STF avaliam como remotas as chances de Toffoli ser jogado na fogueira. A avaliação é que, embora haja divergências internas, os dez ministros devem se unir para segurar a credibilidade da Corte.
Outro ministro citado no caso Master, Alexandre de Moraes também entra nessa proteção. Ao completar nove anos na Corte, Moraes foi homenageado e elogiado pelos demais colegas no plenário.