Articulação de Lula contra Toffoli incomodou STF

Presidente da República tentava enviar recados em defesa do afastamento do ministro após revelações do Caso Master

Dias Toffoli decidiu anular as provas obtidas por meio de delações da Odebrecht e ainda considerou a prisão de Lula em "erro histórico"
Dias Toffoli decidiu anular as provas obtidas por meio de delações da Odebrecht e ainda considerou a prisão de Lula em "erro histórico" Foto: Ricardo Stuckert/PR - Carlos Moura/SCO/STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficaram incomodados com a articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o afastamento do ministro Dias Toffoli, após as revelações do Caso Master. De acordo com fontes da Corte, a ação foi vista como uma tentativa de interferência direta no Judiciário e foi logo rechaçada pelos magistrados.

As investigações da Polícia Federal apontam que Toffoli tinha relação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro era sócio de um resort no interior do Paraná comprado por um fundo de investimentos ligados ao banqueiro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel. As revelações obrigaram o ministro a deixar a relatoria do caso Master na Suprema Corte.

Nos bastidores, Lula tentou enviar emissários para convencer Toffoli a se afastar da Corte até que a poeira sobre o Master abaixasse. Alguns interlocutores do Planalto, inclusive, defenderam a renúncia do ministro, após a Polícia Federal entregar um documento nas mãos do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apontando uma possível suspeição de Dias Toffoli no caso.

A articulação do petista passou longe de ser bem vista nos bastidores da Corte. Interlocutores do STF avaliam que Lula deveria cuidar das demandas do Palácio e deixar que as divergências do Judiciário sejam resolvidas internamente.

“Ele cuida da própria toca e nós cuidamos da nossa”, disse um interlocutor, sob reserva.

Como mostrou a IstoÉ, interlocutores do STF avaliam como remotas as chances de Toffoli ser jogado na fogueira. A avaliação é que, embora haja divergências internas, os dez ministros devem se unir para segurar a credibilidade da Corte.

Outro ministro citado no caso Master, Alexandre de Moraes também entra nessa proteção. Ao completar nove anos na Corte, Moraes foi homenageado e elogiado pelos demais colegas no plenário.