Lula adia reação a novo tarifaço e avisa que EUA não ‘enganarão’ o Brasil

Presidente da República condiciona pronunciamento oficial sobre o tarifaço americano a declaração pública de seu homólogo

Lula adia reação a novo tarifaço e avisa que EUA não 'enganarão' o Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou, nesta sexta-feira, 17, comentar diretamente o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos e condicionou qualquer reação oficial a uma manifestação pública de Donald Trump. Durante agenda no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o Brasil não será enganado e cobrou reciprocidade dos americanos.

O que aconteceu

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou comentar diretamente o novo tarifaço dos EUA, afirmando que só se manifestará após o pronunciamento de Donald Trump.
  • Lula cobrou reciprocidade dos americanos e destacou a soberania brasileira, declarando que o país não aceitará “desaforos”.
  • A medida impõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com potencial impacto significativo nas exportações do agronegócio, segundo a CNA.

A declaração de Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu durante sua participação no evento da Carreta da Saúde da Mulher, na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei”, disse o petista.

Lula elevou o tom ao tratar da postura brasileira diante da pressão comercial imposta por Washington. “Nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, acrescentou, reforçando a posição de que o país exigirá respeito nas relações internacionais.

Qual o impacto das tarifas americanas?

A fala do presidente ocorre após a confirmação por Washington da imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), essa medida tem o potencial de atingir 36,5% das exportações do agronegócio para o mercado americano, representando um desafio significativo para o setor.

Lula reiterou o discurso de soberania nacional, enfatizando que o Brasil exige o mesmo respeito que oferece nas relações exteriores. “Esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil”, afirmou, sublinhando a intransigência do governo frente a qualquer tentativa de desconsideração da posição brasileira.

Como o Brasil reagirá diplomaticamente?

Nos bastidores, o Itamaraty mantém intensas conversas com autoridades dos Estados Unidos, buscando a revisão da medida tarifária por vias diplomáticas. O chanceler Mauro Vieira já sinalizou publicamente que o Brasil contestará vigorosamente quaisquer restrições que considerar incompatíveis com as normas e regras do comércio internacional.

Paralelamente à frente diplomática, o governo federal avalia e prepara instrumentos de apoio para as empresas exportadoras brasileiras. Além disso, estuda-se a aceleração da diversificação de mercados, com foco em regiões como Ásia, Europa e Oriente Médio, visando reduzir a dependência de mercados específicos e fortalecer a resiliência da economia nacional.

No mesmo evento, Lula fez um breve comentário sobre a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, classificando a atuação como um “fracasso”. Contudo, o presidente ressaltou que não admite críticas externas ao país, mesmo em contextos como o esportivo, reforçando a defesa da soberania nacional em todas as esferas.