Lula propõe acordo com EUA contra crime e pede contrapartida

Lula propõe acordo com EUA contra crime e pede contrapartida

"EmPresidente promete levar a Trump proposta de ação conjunta contra o crime organizado, mas exige entrega de "bandidos" que vivem nos EUA. Sobre novas medidas tarifárias, afirma que não aceitará papel de subordinação.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou neste domingo (22/02) sua visita oficial à Índia sugerindo que levará a Washington uma proposta de colaboração para prender brasileiros envolvidos com o crime organizado que vivem nos EUA.

Diante da nova ofensiva tarifária proposta pela Casa Branca, o presidente também advertiu seu homólogo americano, Donald Trump, que o Brasil não aceitará um papel de subordinação em uma "nova Guerra Fria".

Os dois líderes devem realizar uma reunião bilateral nos EUA, em março. Segundo Lula, o governo brasileiro usará o encontro par apresentar a Trump uma proposta de ação conjunta contra crime organizado, cujas operações também se estendem no território americano. O americano tem reforçado sua agenda de combate a operações criminosas e a usado como justificativa para intervenções em países como a Venezuela.

Contudo, Lula condicionou a colaboração à entrega, por parte dos EUA, de foragidos brasileiros que residem na Flórida. "Se o governo americano está disposto a combater o narcotráfico, estaremos na linha de frente, mas que nos enviem os bandidos brasileiros que vivem em mansões em Miami", disse ele.

Segundo a Folha de S. Paulo, Lula se referiu, como exemplo, a um "morador de Miami", nos EUA, buscado pela Justiça brasileira. "Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue o nosso bandido", disse.

Lula rejeita "nova Guerra Fria"

Lula também disse que priorizará uma extensa agenda centrada na reativação do comércio e do investimento americano.

"Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países", disse Lula a repórteres em Nova Délhi.

Neste sábado, Trump subiu as tarifas de importação de produtos globais a um patamar de 15% e indicou que não deve recuar de sua ofensiva comercial apesar de decisões contrárias da Suprema Corte americana.

"Falarei de comércio, de parcerias universitárias, mas quero falar de tudo. Incluindo o investimento americano no Brasil, que deixou de existir há muito tempo", acrescentou.

Acordo por terras raras

Lula partiu de Nova Délhi na manhã deste domingo e aterrissará em território sul-coreano às 20h30 (horário local, 8h30 de Brasília). No dia seguinte, segunda-feira, se reunirá com Lee em Seul, no âmbito de uma visita oficial que se estenderá até terça-feira.

No sábado, o presidente assinou com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, um acordo estratégico de investimento e cooperação técnica para a exploração de minerais críticos.

O pacto busca assegurar o suprimento de terras raras, lítio e nióbio, do qual o Brasil possui 90% das reservas mundiais, para blindar a soberania tecnológica de ambos os países diante da hegemonia da China e das pressões de Washington.

Lula ressaltou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma "colônia tecnológica" e contrapôs sua relação com a Índia, qualificada como "política de iguais", frente ao autoritarismo das potências que tentam impor condições unilaterais.

"O que não vamos permitir é que nossos minerais críticos sejam explorados como no passado, quando os enviávamos para fora para depois comprar o produto fabricado", completou.

gq (EFE, Lusa)