Retrospectiva 2018

Lula preso

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2018 com o pé esquerdo — sorte de todos nós, brasileiros que combatemos a corrupção, porque isso significa que iniciamos com o pé direito o ano que se inicia. Em janeiro, o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF-4) não somente confirmou a condenação de Lula imposta pelo então juiz Sergio Moro, como aumentou-lhe a pena, em sentença publicada em março: os nove anos e seis meses subiram para doze anos e um mês. Condenado então em duplo grau de jurisdição, a sua prisão foi decretada pelo próprio tribunal. A expedição do mandado, pela lei, cabia a Moro, que determinou que o ex-presidente se apresentasse à PF, em Curitiba, até às 17 horas do dia 5 de abril. Lula não cumpriu a ordem e se refugiou no Sindicato dos Metalúricos de São Bernardo do Campo (no ABC paulista). A Justiça hesitou em mandar prendê-lo, temendo que houvesse conflitos entre agentes e manifestantes que se aglomeraram no local em solidariedade a Lula — e, diga-se, um confronto com pessoas feridas era tudo que o PT talvez mais desejasse naquele momento. Mitigando o tempo para se entregrar por intermédio do advogado e ex-ministro José Eduardo Cardozo, Lula argumentou que queria participar, no sábado, 7 de abril, da missa em homenagem a sua falecida esposa, dona Marisa Letícia. Claro: transformou a missa em comício e se autodefiniu como sendo uma “ideia”. Às 18h42 do mesmo dia, a “ideia” em carne e osso foi presa e levada para a carceragem da Superintendência da PF em Curitiba. A sua condenação tem como base a propina recebida da empreiteira OAS sob a forma de um tríplex na cidade paulista do Guarujá, avaliado em pouco mais de R$ 2 milhões. Até novembro, Lula também já era réu em outros três processos.