O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Senado nesta quarta-feira, 1º, a mensagem que formaliza Jorge Messias como indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A oficialização foi confirmada à IstoÉ e cessa meses de espera desde o anúncio do advogado-geral da União como substituto da vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
A saída de Barroso da Corte ocorreu em outubro do ano passado. Aos 67 anos, ele ainda poderia permanecer no STF até completar 75 anos, idade-limite prevista pela Constituição, mas decidiu pela aposentadoria antecipada. Ele deixou a presidência do tribunal com o ministro Edson Fachin e terminou um ciclo de 12 anos como juiz mais alta Corte do País.
O nome de Messias precisa ser avaliado pelos senadores para ser oficializado como novo juiz do STF. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem sido um empecilho na articulação governista e planta dúvidas sobre a aprovação do indicado — ele defendia Rodrigo Pacheco (PSD) como sucessor da cadeira.
O imbróglio teve seu auge quando, ainda em 2025, Alcolumbre reagiu negativamente ao anúncio de Lula e atropelou o processo regimental padrão, marcando a sabatina que decidiria pela aprovação — ou rejeição — de Messias antes mesmo que o nome chegasse oficialmente à Casa. A data inicial deixava um prazo apertado para que o advogado-geral articulasse apoio da cota mínima de 41 senadores e, por pressão da base governista, Alcolumbre cancelou a sabatina — que agora deve ser remarcada.
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Caso o indicado por Lula seja bem-sucedido na sabatina no Senado e aprovado para o cargo, Messias passará a integrar a Segunda Turma do tribunal. Vale lembrar que uma indicação ao STF não é rejeitada desde o século XIX, quando Floriano Peixoto teve cinco nomes recusados pelo Senado e se tornou o primeiro e único presidente a sofrer a derrota.
A postulação de Messias ocorreu no dia 20 de novembro de 2025 e carimbou a tentativa de Lula conectar-se com o público evangélico, visto que o advogado é fiel da Igreja Batista Cristã.
Quem é Jorge Messias

Jorge Messias, ministro-chefe da AGU de Lula
Natural de Recife (PE), Messias tem 45 anos, é formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e tem mestrado em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB). Desde 2007, integra a carreira de procurador da Fazenda Nacional. Atuou em diferentes áreas do Executivo, incluindo o Banco Central e o BNDES, mas ganhou maior visibilidade durante o governo Dilma Rousseff, ao ocupar o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência da República.
Foi nesse cargo que se envolveu, ainda que indiretamente, em um dos momentos mais críticos da crise política de 2016. Messias foi citado em uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, divulgada pelo então juiz Sergio Moro, no contexto da Operação Lava Jato. No áudio, a presidente afirma que enviaria um termo de posse para Lula assumir como ministro da Casa Civil, caso fosse necessário, e menciona Messias como responsável por entregar o documento.
“Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”, disse Dilma na ocasião.
A fala gerou acusações de tentativa de obstrução de justiça e popularizou a referência a Messias como “Bessias”, embora ele não tenha sido alvo direto de investigação nem tenha respondido judicialmente pelo episódio.
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Carreira Pública
Mesmo após a repercussão, Messias continuou sua trajetória no serviço público. Em 2023, foi nomeado advogado-geral da União por Lula e assumiu papel de destaque em ações estratégicas do governo federal. Sob sua liderança, a AGU atuou na recuperação de recursos públicos, combate a fraudes previdenciárias e em processos no Supremo relacionados à regulação de plataformas digitais. Foi também o primeiro a pedir a prisão preventiva de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Além do desempenho técnico, o presidente Lula também passou a acionar Messias para agendas de natureza mais política. Em especial, o advogado-geral foi encarregado de ajudar a reconstruir a relação institucional do governo com lideranças religiosas, sobretudo do meio evangélico. Integrante da Igreja Batista, Messias costuma utilizar referências bíblicas em seus discursos e tem mantido interlocução com setores religiosos mais conservadores, em uma tentativa de reduzir resistências ao governo federal nesse segmento.
A escolha de Messias para o Supremo já era cogitada. Com a aposentadoria de Barroso, a indicação do advogado-geral representaria um perfil mais técnico, com histórico de lealdade ao presidente mas com trânsito institucional em Brasília.
O nome agora será submetido à análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, posteriormente, ao plenário. Para ser confirmado como ministro do STF, Jorge Messias precisará de pelo menos 41 votos favoráveis entre os senadores. Caso aprovado, será o terceiro nome indicado por Lula à Corte neste mandato, ao lado de Cristiano Zanin e Flávio Dino.