O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente sua candidatura à reeleição neste domingo, 2 de agosto, durante a convenção nacional do partido em São Paulo. Em seu discurso, Lula prometeu adotar uma postura mais combativa, confrontando o Congresso Nacional e aumentando o investimento em defesa, em um aceno às Forças Armadas, categoria identificada com o bolsonarismo.
O que aconteceu
- Lula lança candidatura à reeleição, prometendo embates com o Congresso e foco na defesa nacional.
- O presidente sinalizou o fim do “Lulinha paz e amor”, buscando autonomia do Executivo frente ao Legislativo.
- A estratégia inclui um aumento de investimentos militares, visando segurança de fronteiras e soberania.
Em um longo discurso proferido no Expo Center Norte, o petista afirmou que não quer mais ser o “Lulinha paz e amor”. Ele ressaltou a necessidade de desafiar o crescente poder do Legislativo em relação ao Executivo, indicando uma mudança de estratégia política.
“Eu quero o Lulinha porreta, porque do básico nós já cuidamos. O povo está comendo, e agora é hora de dar um salto de qualidade e pensar no futuro do país. Essa eleição é para definir que país a gente vai deixar”, declarou Lula. Ele participa de sua sétima corrida presidencial, buscando um quarto mandato no Palácio do Planalto.
“A minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o poder Legislativo, porque não posso permitir que o presidente da República vá perdendo seus direitos. Vai ter que ter briga democrática para mudar este país”, acrescentou o mandatário, ressaltando que o governo precisará ser “mais ousado”.
Confronto com o Legislativo
Lula também abordou a questão da defesa nacional, afirmando que a esquerda “precisa parar com a bobagem de achar que não tem de se preocupar com defesa”. O presidente destacou a vasta extensão territorial do Brasil, mencionando os 16,8 mil quilômetros de fronteira terrestre, os 8 mil quilômetros de fronteira marítima e os 12% da água doce do mundo presentes no país.
“Nós precisamos investir na defesa porque eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o presidente como eles invadiram”, destacou. A fala foi uma referência indireta à captura do venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro. Lula enfatizou: “Eu quero estar preparado para a paz, não para a guerra, para ninguém ousar se fazer de besta conosco”.
Qual a visão de Lula para a defesa nacional?
Apesar da menção indireta ao ataque americano à Venezuela, Lula evitou citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele também não fez menção aos tarifaços impostos por Washington ao Brasil, nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas eleições.
Contudo, o presidente criticou veementemente a “mentira utilizada pela inteligência artificial” nas campanhas eleitorais. A declaração surge como uma possível alusão ao deepfake do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena por golpe de Estado, utilizado na convenção que oficializou a candidatura de Flávio.
“Neste país, a mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que estamos fazendo ao povo brasileiro”, disse. O petista também afastou possíveis preocupações com sua idade avançada – ele terá 81 anos em um eventual quarto mandato – e garantiu estar “muito melhor” do que quando tinha 57 anos, ao subir a rampa do Planalto pela primeira vez.