Edição nº2552 15/11 Ver edições anteriores

Lula já venceu. O lulismo ainda não

A pesquisa Datafolha dessa semana revela uma verdade cristalina: não há um único indivíduo, entre os 207 milhões de brasileiros, capaz de vencer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa disputa eleitoral limpa. A centro-direita brasileira, que apostou na quebra do pacto democrático, sai humilhada diante da sua própria incapacidade de derrotar, nas urnas, um condenado em segunda instância. Caso a marcha da insensatez prossiga e Lula venha a ser preso, a humilhação será ainda maior porque, entre todas as forças políticas, não haverá ninguém capaz de bater um detento. Ou seja: mesmo preso, Lula vencerá as eleições de 2018, se não vier a ser impedido de concorrer pelos tribunais superiores.

Portanto, Lula sai dessa batalha como o grande vitorioso. Se já era o maior presidente da história do Brasil, tendo retirado quase 40 milhões de pessoas da pobreza e fechado seus dois governos com 87% de aprovação, ele também se consagra como a maior liderança que o País já produziu. A despeito de todo o massacre dos últimos anos, algo também jamais visto na história brasileira, ele paira acima de todos os concorrentes, porque grande parte da população reconhece seus méritos e não enxerga em seus algozes qualquer superioridade moral.

Ele necessita de um vice que seja visto pelo povo como garantia de continuidade do lulismo após 2018

Lula venceu, mas sua responsabilidade histórica vai além da própria biografia. Cabe a ele agir para retirar o Brasil do maior retrocesso civilizatório de sua história. Nos últimos anos, o Brasil, além de ter se desmoralizado diante do mundo, regrediu na economia, no campo social e na própria percepção da população em relação à democracia. Cabe a Lula, desde já, agir para que o País seja resgatado. Para isso, não se trata de lançar, nesse momento, um Plano B. A candidatura de Lula deve ser esticada até o limite legal, mesmo que isso exija, de sua parte, um sacrifício pessoal. Setores da elite imaginavam que, com a condenação em segunda instância, Lula buscaria um acordo – a liberdade em troca da desistência. Lula não deve e não pode desistir.

Isso não significa, no entanto, que Lula não necessite de um vice. Nas suas próximas caravanas, ele deve ter ao seu lado alguém que seja facilmente identificado pela população como uma garantia de continuidade do lulismo, num momento de ataques à soberania nacional, entrega das nossas riquezas e retirada de direitos da cidadania. Mais do que isso, Lula deve também gravar vídeos e depoimentos para que sua mensagem não seja silenciada.

O jogo atual vai muito além da imagem futura nos livros de história. Vitimada pelo golpe de 2016, a presidente Dilma Rousseff se mantém de pé, enquanto muitos de seus algozes estão na prisão ou a caminho dela. No entanto, a dignidade de Dilma não impediu a destruição da economia e da imagem do Brasil. Lula tem uma responsabilidade histórica diante dos 207 milhões de brasileiros, que é vencer a eleição, estando ou não na urna.

 

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