O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou, em entrevista à TV Record Bahia na manhã desta quinta-feira, 2, que aguarda a extradição de Ricardo Magro, proprietário da Refinaria de Manguinhos (Refit), dos Estados Unidos. Lula já havia abordado o tema com o ex-presidente Donald Trump no âmbito do combate ao crime organizado, qualificando o empresário como um dos “grandes chefes do crime organizado do País”.
O que aconteceu
- Lula reafirma pedido de extradição de Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, dos Estados Unidos.
- O empresário, que reside em Miami, é apontado como “chefe do crime organizado” e devedor bilionário de ICMS.
- O presidente brasileiro também destacou a importância de parcerias comerciais globais, frisando a disposição da China.
Ricardo Magro, que atualmente reside em Miami, está no centro de investigações que apontam o grupo Refit, do qual é proprietário, como um dos maiores devedores de ICMS no Brasil. As apurações indicam prejuízos bilionários aos cofres públicos, reforçando a urgência do pedido de extradição por parte das autoridades brasileiras.
Na mesma entrevista, o presidente Lula aproveitou para ressaltar a importância de estabelecer parcerias comerciais com todos os países. Ele enfatizou que, no cenário atual, “a China é quem mostra maior disposição” em fortalecer laços econômicos com o Brasil, indicando uma prioridade para a agenda comercial do governo.
Quem é Ricardo Magro, dono da Refit
Empresário e ex-advogado, Ricardo Andrade Magro é responsável pelo Grupo Refit (nome fantasia da Refinaria de Manguinhos), alvo de uma megaoperação realizada em novembro de 2025 pela Polícia Civil de São Paulo, Receita Federal e o Ministério Público.
O grupo é considerado o maior devedor de ICMS do Estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores da União – acusado de sonegar R$ 26 bilhões. A Refinaria de Manguinhos entrou no radar das autoridades após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto deste ano.
As autoridades investigam se o combustível da Refit abasteceria redes de postos de gasolina controladas pelo PCC. Em outubro de 2025, a Receita Federal apreendeu dois navios com carga que ia para Manguinhos.
Ricardo Magro ganhou destaque no noticiário de negócios em 2008, quando comprou a Refinaria de Manguinhos. Em recuperação judicial, ela foi rebatizada de Refit, e já enfrentava processos de cobranças de impostos e investigação do Ministério Público.
O empresário também atuou como advogado do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-RJ) – de quem é amigo.
Não é de hoje que o nome de Magro está relacionado a denúncias de evasão fiscal na gestão da refinaria. Ele também já esteve envolvido em supostas compras de decisões judiciais na Justiça paulista e apareceu na lista dos brasileiros que mantém offshores em paraísos fiscais.
Em 2016, chegou a ser preso por suspeita de lesar o fundo de pensão Postalis. Também foi alvo de investigações da Polícia Federal.
* Com informações do Estadão Conteúdo