Lula e Flávio trocam acusações sobre corrupção e segurança em 1º debate

Confronto na Band teve embates sobre investigações, combate ao crime, SUS, economia e escala 6x1; segundo turno ocorre no próximo domingo, 25

Momentos do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro
Foto: Momentos do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram, na noite de domingo, 18, o primeiro debate televisionado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Promovido pela Band, em São Paulo, o encontro foi marcado por acusações pessoais, interrupções e divergências sobre segurança pública, economia, saúde e corrupção.

O confronto durou cerca de duas horas e ocorreu a uma semana da votação. Mais do que apresentar novas propostas, os candidatos concentraram boa parte do tempo em questionamentos sobre investigações envolvendo familiares e aliados dos adversários.

Casos sob investigação dominam embate

Flávio citou acusações e investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Lula afirmou que eventuais irregularidades devem ser investigadas e respondeu com críticas à relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Flávio é investigado em apurações ligadas ao caso e nega irregularidades. O senador também questionou o governo sobre fraudes em descontos de benefícios do INSS. Lula respondeu que o esquema foi identificado durante sua gestão.

Em um dos momentos mais tensos, o presidente desafiou o adversário a abrir informações bancárias e telefônicas das duas famílias para escrutínio das autoridades antes da votação. Flávio não aceitou a proposta durante o debate.

Segurança pública concentrou propostas e ataques

A segurança pública foi um dos principais temas da noite. Flávio prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, ampliar o sistema prisional e endurecer punições para crimes violentos. Também defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes graves.

Lula criticou a abordagem do adversário e afirmou que a atuação isolada dos estados não foi suficiente para conter as facções. O presidente defendeu ampliar a coordenação da União na área de segurança, fortalecer o combate ao crime organizado e alcançar os fluxos financeiros que sustentam grupos criminosos.

Ao ser questionado sobre o voto de pessoas presas em condições legais de votar, Lula afirmou que gostaria de receber o apoio de todos, incluindo o de Jair Bolsonaro.

SUS, economia e trabalho entraram no debate

Na saúde, Flávio propôs um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF, maior integração das informações de pacientes e expansão da telemedicina. O senador também falou em levar um “padrão Einstein” ao Sistema Único de Saúde (SUS), expressão questionada por Lula, que associou a proposta a um risco de privatização da rede pública.

O presidente defendeu investimentos no SUS, no Mais Médicos, na Farmácia Popular e no diagnóstico precoce de câncer. Lula também retomou críticas à condução da pandemia durante o governo Bolsonaro.

Na economia, Flávio criticou a dívida pública, a inflação dos alimentos e o endividamento das famílias. Ele prometeu cortes de gastos, renegociação de dívidas e a criação de um Ministério da Prosperidade.

Lula defendeu a política de valorização real do salário mínimo, o fortalecimento de micro e pequenas empresas, a reindustrialização e investimentos em inovação, economia verde e formação profissional. A escala 6×1 também foi tema: Flávio reiterou apoio ao seu fim após, segundo ele, ouvir trabalhadores durante a campanha.

Reta final terá novo debate

Pesquisas divulgadas na semana passada apontaram vantagem numérica de Flávio sobre Lula, mas dentro da margem de erro em levantamentos como Datafolha e Quaest. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47% dos votos, ante 45% de Lula.

O último debate televisionado entre os candidatos está marcado para sexta-feira, 23, na TV Globo. O segundo turno será realizado no domingo, 25.

Da IstoÉ e ANSA