Divisão da direita torna Lula favorito para 2026, diz pioneiro em campanhas digitais

Marcelo Vitorino considera que alternativas a Jair Bolsonaro 'não despertam paixão' e petista pode se reeleger em primeiro turno

O presidente Lula (PT) pretende concorrer a um quarto mandato em 2026
O presidente Lula (PT) pretende concorrer a um quarto mandato em 2026 Foto: AFP

Com Jair Bolsonaro (PL) inelegível e preso por uma tentativa de golpe de Estado e a direita distante de definir uma candidatura única para as eleições de 2026, o presidente Lula (PT) se torna favorito para a reeleição. Essa foi a leitura feita pelo marqueteiro político Marcelo Vitorino em entrevista ao programa Como Ganhar uma Eleição, exibido pelo canal da IstoÉ no YouTube.

“Em um cenário de pulverização extrema, há chance até de Lula ganhar no primeiro turno. Os outros candidatos não têm aderência, não despertam paixão“, afirmou Vitorino, que foi responsável pela campanha vitoriosa de Marcelo Crivella (Republicanos) à prefeitura do Rio de Janeiro e, em São Paulo, coordenou a comunicação digital da reeleição do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) — área em que se tornou pioneiro.

As candidaturas referidas pelo marqueteiro são dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que não chegam aos dois dígitos nas pesquisas. Outro postulante ao Palácio do Planalto é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que mesmo com o sobrenome não conseguiu aglutinar a oposição e levantou a possibilidade de desistir em troca da libertação do pai.

Na análise de Vitorino, o cenário que se avizinha é uma espécie de reprodução da disputa presidencial de 2018, que terminou com Bolsonaro eleito. “Em um ano em que a população estava cansada da política, com a Lava Jato bombando e Lula preso, havia Bolsonaro e Cabo Daciolo de um lado, e à exceção de João Amoêdo [Novo], todo o resto era de centro-esquerda. No cenário atual, o que pode acontecer é você ter Lula isolado na esquerda, centro-esquerda, e todo o resto disputando o espaço da direita, centro-direita”.

A reviravolta de Lula

As projeções que dão favoritismo ao petista exemplificam como o cenário político pode se inverter em um intervalo de um ano. Lula começou 2025 registrando seu pior patamar de popularidade no cargo e, em atrito com o Congresso, viu partidos que chefiam ministérios articularem um plano presidencial para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.

Meses depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros em apoio a Bolsonaro e após articulação internacional de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As sanções aumentaram a rejeição ao ex-presidente e seus familiares, deram a Lula protagonismo no discurso de defesa da soberania nacional — as sobretaxas ainda foram reduzidas após encontros com Trump — e dividiram a oposição, dando fôlego ao mandatário na busca pela reeleição.

Na avaliação de Vitorino, a economia será preponderante para a disputa. “É o fator que sempre decide eleições presidenciais. Mesmo temas como a segurança pública são convertidos para a economia, porque é o que vale [nesta campanha]. Não é o buraco na rua ou a vaga na creche, mas o intangível. A percepção de melhora ou não do país”, afirmou à IstoÉ.

Marqueteiro político participou do programa 'Como Ganhar uma Eleição' nos estúdios da IstoÉ

Marqueteiro político participou do programa ‘Como Ganhar uma Eleição’ nos estúdios da IstoÉ

Quem é Marcelo Vitorino

Esteve à frente da estratégia digital da eleição de Gilberto Kassab à prefeitura de São Paulo, em 2008, e da campanha presidencial de José Serra, derrotado no segundo turno em 2010. Foi o marqueteiro das eleições de Raimundo Colombo ao governo de Santa Catarina e Camilo Santana ao do Ceará, de Marcelo Crivella à prefeitura do Rio de Janeiro e da reeleição do prefeito de Manaus, Davi Almeida, em 2024. Autor do “Guia do Marketing Político”, é professor da ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing).