Lula escolhe Gleisi para assumir articulação política do governo

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR) Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente nacional do PT, foi escolhida pelo presidente Lula (PT) para o cargo de ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do governo.

A parlamentar tomará posse no cargo em 10 de março, segundo o Palácio do Planalto. Gleisi substitui Alexandre Padilha, que assumirá o Ministério da Saúde no lugar de Nísia Trindade, demitida pelo presidente.

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Presidente do Partido dos Trabalhadores desde julho de 2017, a nova ministra também integrou a Esplanada no primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), de quem foi chefe da Casa Civil.

A mudança ocorre em meio a uma prometida reforma ministerial, mas frustra as expectativas de lideranças do chamado “centrão”, que reúne os partidos mais influentes do Congresso.

Em meio a uma alta na rejeição e dificuldades econômicas, havia a projeção de que Lula desse espaço ao grupo no governo, de modo a garantir mais apoio parlamentar para aprovar propostas que contribuam para a recuperação. Ao escolher Gleisi, o presidente amplia o poder de sua própria legenda na Esplanada.

Quem é a nova ministra

Filiada ao PT em 1989, Gleisi Hoffmann foi secretária de Reestruturação Administrativa do Mato Grosso do Sul entre 1999 e 200 e, em seguida, secretária municipal de Gestão Pública de Londrina, até 2003, ano em que foi nomeada diretora financeira da Itaipu Binacional pelo presidente Lula.

A ascensão interna da política a transformou no principal nome do petismo paranaense, e Gleisi foi eleita senadora pelo estado em 2010. Afastou-se do Legislativo para chefiar a Casa Civil sob Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014, mas retornou ao Senado e votou contra o impeachment da ex-presidente petista, que ocorreu em 2016.

Desde que assumiu a presidência nacional do PT, a nova ministra se aproximou de Lula em especial pela atuação partidária em um contexto de fragilização da legenda, que enfrentou no período os desgastes da Operação Lava Jato e a prisão de seu principal líder. Na prisão, Gleisi era uma das visitas frequentes do presidente.

Em 2018, enfrentando uma forte rejeição, Gleisi não concorreu à reeleição no Senado e migrou para a Câmara dos Deputados, para a qual foi eleita naquele ano e reeleita em 2022. Com a nomeação para a Esplanada, ela deve deixar o comando do PT após oito anos.