Lula é convidado por Trump para participar do “Conselho de Paz” de Gaza

Líderes da França, Alemanha, Austrália, Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Paraguai também estavam entre os convidados a fazer parte do conselho

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em reunião
Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar do chamado “Conselho de Paz”, que teria como objetivo inicial acabar com o conflito em Gaza, segundo três fontes do governo brasileiro.

Duas das fontes da Reuters destacaram que o convite foi recebido na sexta-feira pela embaixada do Brasil em Washington. Uma delas pontuou que o tema deverá ser discutido com Lula na segunda-feira.

A Casa Branca anunciou na sexta-feira alguns membros desse conselho, com papel de supervisionar uma governança temporária de Gaza, sob um frágil cessar-fogo desde outubro.

Os nomes incluem o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner. Trump é o presidente do conselho, de acordo com um plano que a Casa Branca revelou em outubro.

Líderes da França, Alemanha, Austrália, Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Paraguai também estavam entre os convidados a fazer parte do conselho.

Os anúncios foram feitos depois que um comitê palestino de tecnocratas, destinado a governar Gaza, realizou sua primeira reunião no Cairo, da qual participou Kushner, genro de Trump, que há meses trabalha com Witkoff no tema.

No Canadá, um alto assessor do primeiro-ministro Mark Carney disse que tinha a intenção de aceitar o convite de Trump, enquanto na Turquia, um porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou que lhe foi pedido para se tornar “membro fundador” do conselho.

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, disse que o Cairo estava “estudando” um pedido para que o presidente Abdel Fattah al-Sisi se unisse à iniciativa.

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Em uma publicação no X neste sábado, o presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou ter sido convidado para compor a iniciativa, classificando o chamado como “uma honra”.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, também foi convidado e disse assumir “a responsabilidade com honra”.

Em um comunicado enviado à AFP, Blair disse: “Agradeço ao presidente Trump por sua liderança, ao estabelecer o Conselho da Paz e me honra ter sido designado para sua Junta Executiva”.

Blair é uma personalidade controversa no Oriente Médio, devido ao seu papel na invasão do Iraque, em 2003. O próprio Trump disse no ano passado que queria se assegurar de que Blair fosse uma “opção aceitável para todos”.

Após deixar Downing Street, em 2007, o ex-primeiro-ministro passou anos centrado na questão israelense-palestina como representante do “Quarteto para o Oriente Médio” (Nações Unidas, União Europeia, Estados Unidos e Rússia).

A Casa Branca informou que o Conselho de Paz abordará temas como “o fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Os outros membros do conselho até agora são o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, um empresário americano nascido na Índia; o bilionário financista americano Marc Rowan; e Robert Gabriel, um colaborador leal de Trump, que faz parte do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

O mandatário americano criou um segundo “comitê executivo para Gaza”, que parece ser desenhado para ter um papel de assessor. Não estava claro de imediato quais líderes mundiais foram convidados para cada conselho.

A Casa Branca, que informou na sexta-feira que mais membros para as duas entidades serão nomeados, não respondeu imediatamente a um pedido por comentários.