O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 14, que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, “é o tipo de político que faz mal para a humanidade”.
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O que aconteceu?
- Lula criticou duramente Benjamin Netanyahu, chamando-o de “político que faz mal para a humanidade” e acusando-o de agir sem humanismo para se manter no poder, mas fez questão de separar o governo israelense do povo de Israel.
- O presidente brasileiro afirmou que os Estados Unidos têm “complacência” com Israel, o que permitiria as ações militares, e disse estar convicto de que Netanyahu “está fora da linha”.
- Sobre Trump e as eleições de 2026, Lula declarou que não teme interferência americana, afirmou que até ajudaria sua campanha e criticou Eduardo Bolsonaro por supostamente pedir intervenção ao ex-presidente dos EUA.
A declaração foi dada em entrevista a veículos de imprensa progressistas reforça o tom crítico adotado pelo petista em relação à condução das ações israelenses no conflito no Oriente Médio.
Segundo Lula, o comportamento de Netanyahu estaria diretamente ligado à sua permanência no poder. “É um tipo de político que faz mal para a humanidade. O comportamento dele, para ficar no poder, exige que ele faça o que está fazendo”, afirmou.
Ainda assim, o presidente brasileiro ressaltou a necessidade de diferenciar o governo do povo de Israel. “Tenho muito cuidado para não confundir o povo de Israel com Netanyahu. Há muita gente que quer paz e não concorda com ele.”
Durante a entrevista, Lula também criticou o apoio internacional ao governo israelense, apontando a responsabilidade dos Estados Unidos. Para ele, há uma relação de “complacência” que permite a continuidade das ações militares, caso contrário “Israel não faria o que está fazendo”.
O petista ainda acrescentou estar “convencido de que Netanyahu está fora da linha” e que não tem “nada de humanismo dentro da cabeça dele”.
Questionado sobre a possibilidade de romper relações diplomáticas com Israel, Lula adotou um tom cauteloso, tendo em vista que decisões dessa natureza exigem prudência.
“A gente precisa ter cuidado, não pode ter nenhuma atitude precipitada, porque dificulta você voltar atrás”, disse.
Por fim, disse acreditar em uma mudança política interna no país. “Eu sempre acho que, em algum momento, o povo de Israel vai tirar Netanyahu e eleger alguém civilizado, democrático, humanista para governar aquele país.”
Trump e as eleições de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também falou sobre Trump e garantiu que não teme eventuais interferências do governo do norte-americano nas eleições de outubro, quando ele deve concorrer a seu quarto mandato no Palácio do Planalto.
“Receio, eu não tenho. Acho até que ele [Trump] me ajudaria muito se fizesse isso”, declarou o petista, lembrando que os Estados Unidos fizeram campanha em prol do líder de extrema direita Viktor Orbán, derrotado nas eleições na Hungria no fim de semana.
“Eu tenho lido mensagens de Trump dando palpites em eleições em Honduras, na Costa Rica? É um absurdo, uma intromissão sem precedentes na soberania de um país. Ele ainda não fez isso aqui, mas meus adversários têm um filho lá que foi pedir para o Trump intervir”, acrescentou Lula, em referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e que vive nos EUA.
“Eu acho isso um erro de comportamento, mas, sinceramente, não me tira o sono”, concluiu.