Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 5 Fev (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sabem que terão um papel a cumprir na disputa eleitoral deste ano no Estado de São Paulo, embora não tenha detalhado qual a função que ambos terão no xadrez político no Estado.
“Nós temos condições de ganhar em São Paulo. Eu ainda não conversei com Haddad (Fernando, ministro da Fazenda), não conversei com Alckmin (Geraldo, vice-presidente), mas eles sabem que eles têm um papel a cumprir em São Paulo”, disse o presidente em entrevista ao portal UOL.
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Lula busca montar um palanque forte em São Paulo e quer ver o ministro da Fazenda como candidato ao governo ou ao Senado no Estado, mas o ministro resiste a participar das eleições deste ano. Em mais de uma oportunidade, Haddad afirmou que gostaria de estar na coordenação da campanha de Lula à reeleição.
Já Alckmin também já teria avisado a Lula que prefere se manter na vice-presidência, e o presidente declarou que ele será candidato ao cargo que quiser.
De acordo com uma fonte próxima ao ministro, a avaliação dentro do PT é de que, entre todos os nomes sendo considerados, Haddad seria o capaz de fazer a maior votação no Estado, o que ajudaria Lula na eleição nacional.
Uma possível chapa em São Paulo hoje circula em torno dos nomes de Haddad, Alckmin, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, em uma composição com dois candidatos ao Senado, governador e vice-governador. O ministro do Empreendedorismo, Márcio França, também já declarou que gostaria de concorrer.
A definição desse xadrez político depende do que Lula conseguir convencer Haddad a fazer.
Já em Minas Gerais, outro dos Estados centrais para a eleição onde o presidente ainda não tem um palanque, Lula reafirmou que espera ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD) mudar de ideia e concorrer ao governo estadual.
“Eu ainda não desisti de você, viu Pacheco. Vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o próximo governador de Minas Gerais”, disse Lula ao UOL.
De acordo com um ministro ouvido pela Reuters, nos últimos dias o senador tem de fato dado sinais de que pode não resistir aos apelos do presidente. Pacheco se reuniu com o PT de Minas e tem conversado com outros partidos para deixar o PSD — isso porque, para ser candidato ao governo estadual, precisaria de uma outra legenda, já que o PSD está hoje no grupo do atual governador, Romeu Zema (Novo).
Washington
Lula confirmou ao UOL que está prevendo uma viagem a Washington, para encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, possivelmente para a primeira semana de março.
O presidente defendeu que ele e o norte-americano precisam conversar “olho no olho” para resolver questões de interesse dos dois países, e voltou a dizer que não tem questões proibidas.
“Temos que conversar olho no olho e trabalhar juntos”, disse.