Lula condena bombardeio à Venezuela e pede ‘resposta vigorosa’ da ONU

Presidente considera que ataque capitaneado por Trump 'abre precedente perigoso'

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; Venezuela
Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em publicação sobre o bombardeio da Venezuela pelos Estados Unidos, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerou que incursão militar ‘ultrapassa uma linha inaceitável’ e afrontam abrem precedentes ‘perigosos’.

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+Líderes internacionais condenam ataque dos Estados Unidos à Venezuela

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse Lula, em postagem na sua conta no X, antigo Twitter.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, completou o presidente.

O petista ainda declarou que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), ‘precisa responder de forma vigorosa a esse episódio’.

“O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”

Colômbia, Irã e Cuba também condenaram ataque

Na esteira dos pronunciamentos de líderes globais, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi um dos primeiros a se manifestar contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela na manhã deste sábado, 3. 

Segundo Petro, a ofensiva de Trump é uma “agressão à soberania” venezuelana. O presidente ainda disse que acionará o conselho de segurança da ONU.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou sobre o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela.

“Cuba denuncia e exige reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a Nossa América”, escreveu em rede social.

O Irã, importante aliado político da Venezuela, também condenou veementemente o ataque militar dos Estados Unidos ao país sul-americano, descrevendo-o como uma “violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial” venezuelana. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores iraniano exigiu que o Conselho de Segurança da ONU “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal” e responsabilize os responsáveis pela operação.

Trump confirmou ataque à Venezuela e disse que Maduro foi capturado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o ataque americano à Venezuela na manhã deste sábado e disse que Nicolás Maduro foi capturado e retirado do país. A declaração foi dada na rede Truth Social.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, diz a postagem.

As operações militares ocorrem após os EUA passarem meses posicionando forças militares no Mar do Caribe, incluindo a presença de navios de guerra e o maior porta-aviões do mundo.

Oficialmente, os EUA justificaram o deslocamento das forças como uma ação para combater “narcoterroristas “, mas analistas apontam que as ações podiam visar uma mudança de regime na Venezuela, cujo governo está sob controle dos chavistas há mais de duas décadas.

O governo venezuelano denunciou o que chamou de “agressão militar gravíssima” dos Estados Unidos contra alvos civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, La Guaira, onde estão localizados o aeroporto e o porto da capital do país.

“O governo bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem seus planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista”, afirmou o governo, em nota.

Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios com colunas de fumaça, embora não seja possível determinar a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital.

Maduro liberou presos políticos

Na última quinta-feira, sob forte pressão dos Estados Unidos, a Venezuela anunciou a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória de Maduro nas eleições de julho de 2024.

Maduro impôs uma violenta repressão aos opositores que rejeitaram o resultado oficial, que o conduziu a um terceiro mandato de seis anos na Presidência.

A violência resultou na morte de 28 pessoas e na prisão de cerca de 2.400 manifestantes, incluindo dezenas de menores de idade.
Desde então, mais de 2 mil manifestantes foram libertados, segundo registros oficiais.

Em 25 de dezembro, Caracas já havia anunciado a libertação de 99 prisioneiros como “uma expressão concreta do compromisso do Estado com a paz, o diálogo e a justiça”.

ONGs venezuelanas estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estejam detidos, incluindo pessoas presas antes das eleições.

Com informações da Deutsche Welle