Lula discursa na ONU, defende multilateralismo e reforma do CS

Presidente brasileiro participa da 81ª Assembleia Geral em Nova York e aborda solução de conflitos e governança global

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira, 22, na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. A partir das 10h (horário de Brasília), o chefe de Estado brasileiro deve reforçar a importância do multilateralismo e a busca por soluções negociadas para conflitos, temas centrais da política externa do país em um cenário de multiplicação de tensões internacionais.

  • Lula na ONU defende o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da entidade.
  • O presidente norte-americano, Trump, discursará logo após o chefe de Estado brasileiro.
  • A comitiva brasileira terá agenda intensa, com ministros participando de reuniões com importantes blocos internacionais.

No tradicional discurso de abertura na seção de alto nível da Assembleia, Lula deve ressaltar o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. A negociação como caminho para a solução de disputas também será um ponto de destaque, apresentando a visão do Brasil sobre os principais temas da agenda internacional.

A reforma das Nações Unidas, em particular de seu Conselho de Segurança (CS), deve estar entre os temas abordados. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica a sua dificuldade em responder aos conflitos internacionais.

Esta é a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República. Em seus três mandatos, ele só não compareceu em 2010.

Qual o foco do discurso de Lula na ONU?

Antes do discurso, Lula teve encontros bilaterais com outros chefes de Estado. Ele se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que está em fase final de mandato à frente da entidade internacional, e com o prefeito da cidade de Nova York, o progressista Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que governa a metrópole desde o início do ano. O presidente brasileiro retorna ao Brasil no mesmo dia.

Encontro com Trump

O presidente norte-americano, Trump, é o segundo a falar, logo após Lula. Ambos eventualmente podem se cruzar nos bastidores do plenário. No ano passado, os dois líderes tiveram um breve contato quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar.

Na ocasião, o encontro causou boa impressão nos dois presidentes e Trump posteriormente falou em “química excelente” entre eles. Foi o primeiro de três encontros entre os dois líderes desde então.

Outras agendas da comitiva brasileira

De acordo com o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana. Ele participará de uma série de reuniões e encontros ministeriais, entre eles os do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Também estão previstas reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.

O ministro Vieira também presidirá duas reuniões ministeriais. No dia 23 de setembro, será realizado o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20. No dia 24, Mauro Vieira presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, após a realização, em abril deste ano, da 9ª Reunião Ministerial da organização. O país exercerá a presidência pelo período de três anos.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, também participará de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23 de setembro. Suas agendas estão relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. No dia 23, ele participará do encontro da Aliança Global.

A delegação brasileira participará de reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário.

Além dos ministros Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas as participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, em atividades relacionadas às áreas de atuação de cada pasta.


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