Lula aguarda para definir futuro de Jaques Wagner na liderança do Senado

Palácio do Planalto avalia que explicações de Wagner sobre denúncias da Polícia Federal são "frágeis"

Lula aguarda para definir futuro de Jaques Wagner na liderança do Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem encontro marcado para a próxima semana com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. A pauta principal da reunião é o futuro de Wagner no cargo, à luz das recentes investigações da Polícia Federal (PF) que o envolvem. A conversa ocorrerá após o retorno de Lula de viagem a Minas Gerais, realizada nesta sexta-feira, dia 19.

O que aconteceu

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá com o senador Jaques Wagner (PT-BA) para discutir seu futuro na liderança do governo no Senado, após as investigações da Polícia Federal.
  • O Palácio do Planalto considera “frágeis” as explicações de Wagner sobre os episódios revelados pela PF, como a compra de um apartamento em Salvador.
  • A PF investiga a atuação de Wagner em projetos de interesse de um grupo financeiro e suspeita de propina e vantagens indevidas, incluindo um apartamento e uso de aeronaves.

No Palácio do Planalto, a avaliação interna é de que as explicações dadas por Jaques Wagner sobre os episódios revelados pela Polícia Federal são “frágeis”. A justificativa apresentada pelo senador para a compra de um apartamento em Salvador, por exemplo, não convenceu. Nos bastidores, os recados ao senador são claros: espera-se que ele tome a iniciativa de deixar a liderança do governo para se dedicar integralmente à sua defesa jurídica.

O senador Jaques Wagner, por sua vez, declarou ter solicitado apoio ao ex-banqueiro Augusto Lima para adquirir um apartamento destinado à sua filha, ainda na fase de construção. Sua intenção seria recomprar o imóvel em um momento posterior. Contudo, integrantes do Planalto e do Partido dos Trabalhadores (PT) esperam que Wagner renuncie ao cargo de líder, visando proteger a campanha de reeleição de Lula em 2026.

Quais são as acusações contra Jaques Wagner?

A Polícia Federal (PF) prossegue com as investigações sobre a conduta de Jaques Wagner. A corporação apura se o senador atuou diretamente em benefício de projetos específicos, favorecendo um grupo financeiro associado a Augusto Lima, ex-executivo do Banco Master. Entre as medidas sob escrutínio estão a denominada “Emenda Master” e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, segmento no qual o grupo financeiro tem forte atuação por meio da Credcesta.

Em suposta contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores levantam a suspeita de que o senador Jaques Wagner teria sido beneficiado com propina de R$ 3,5 milhões. Esses valores teriam sido transferidos por intermédio de uma empresa ligada a seu enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, e à nora, Bonnie Toaldo Bonilha. A PF também aponta como vantagem indevida a obtenção de um apartamento no Poeme Residence, localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. As investigações incluem ainda o uso frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows, como um evento em Los Angeles, nos Estados Unidos, cujos bilhetes, no valor de mais de R$ 63 mil, foram adquiridos pela empresa Reag Investimentos em benefício da família do senador.