O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (26) que o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de defesa diante do cenário de instabilidade internacional e criticou declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de anexar territórios estrangeiros.
As falas ocorreram durante a cerimônia de batismo da Fragata “Cunha Moreira”, em Santa Catarina, onde Lula ressaltou a necessidade de preparo do país para proteger sua soberania, mesmo sem intenção de participar de conflitos.
O que aconteceu
- Lula defende a necessidade de o Brasil fortalecer sua capacidade de defesa em um cenário global instável.
- O presidente criticou publicamente declarações de Donald Trump sobre a anexação de territórios como a Groenlândia e o Canal do Panamá.
- As afirmações se dão em meio a tensões entre Brasília e Washington, agravadas por divergências comerciais e a classificação de grupos brasileiros como terroristas pelos EUA.
“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estadunidense. Vai tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, questionou o chefe do Executivo brasileiro.
Na sequência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu novamente investimentos na área de defesa e alertou que o mundo enfrenta o maior número de conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
“Estamos vendo o mundo vivendo a maior concentração de conflitos da história depois da Segunda Guerra, e temos que lembrar que ninguém respeita quem não se respeita”, declarou o petista, reiterando o discurso de defesa da soberania nacional e afirmando que o Brasil não aceitará interferências externas em seus assuntos internos.
Por que Lula se preocupa com a soberania nacional?
As declarações do presidente fazem referência a falas de Donald Trump no início de 2025, quando o norte-americano afirmou que não descartava utilizar força militar para assumir o controle da Groenlândia e do Canal do Panamá. As menções de Trump repercutiram internacionalmente e geraram preocupação.
O tema ganhou novo peso nas discussões do governo brasileiro após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que a medida pode ampliar o alcance de futuras ações americanas sob o argumento de combate ao terrorismo, impactando a soberania.
Cenário de tensões entre Brasil e EUA
A fala de Lula ocorre em meio ao momento de maior tensão recente entre Brasília e Washington. Os dois países divergem principalmente na área comercial, depois que o governo Trump anunciou a intenção de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.
Apesar do cenário de atritos, Lula e Trump estiveram na cúpula do G7, na França, na semana passada, onde tiveram um breve encontro durante o evento, mas sem avanços públicos nas negociações bilaterais.