Lula dá?

Crédito: José Manuel Diogo

(Crédito: José Manuel Diogo)


A entrevista de Lula da Siva ao Reinaldo Azevedo na Bandnews é, dependendo do ponto de vista, um conto de fadas e um filme de terror. Mas o resumo é bem simples: Lula tá de volta! No Brasil a realidade sempre ultrapassa a ficção.

Na semana em que os generais recusaram obedecer ao presidente capitão, enfraquecendo — quem sabe definitivamente — a chance de “golpe militar” que muitos acreditavam ser uma evolução possível, e até natural, na estratégia bolsonarista, o antigo presidente do PT volta à ribalta, cheio de energia, mostrando, a quem pudesse duvidasse, que o Brasil vai ter muito Lula para sambar .

Na boleia do Reinaldo, as falas do Lula são um tratado de ciência política.  Lula pode ter muito defeitos, até os mais graves, mas na comunicação ele é muito bom de bola. Lula finta e passa, trata como poucos o Brasil por “tu”, mas sabe que as chances dele estão onde a coruja dorme. Ele vai precisar de muita sorte, muita firula, muito bando de louco na bancada pra levantar de novo a taça.

Mal abriu o placar, Lula correu pro abraço. Sabe que os ventos que agora lhe correm de feição podem mudar a qualquer hora e ele também sabe que precisa molhar a camisa e dar o sangue pra poder chutar pro gol em 2022.

Mas logo que o velho metalúrgico calçou de novo as chuteiras, imediatamente se acenderam todas as campainhas da geometria do poder em Brasília. Meia dúzia de putativos presidenciáveis —  e que ainda não são candidatos — escrevem um manifesto contra Bolsonaro, exaltando a democracia. Mas no fundo esse posicionamento é mais uma canção desesperada que um poema de amor.

Não precisa ser mister para entender que o que move verdadeiramente os ex-ministros Ciro e Mandetta, os governadores Doria e Leite, o ex-candidato Amoedo e o apresentador Huck (parece que o patrão do ex-juiz e ex-ministro Moro não deixou ele assinar) não é apenas o apoio à democracia — sempre ameaçada pelo atual Síndico-mor da Alvorada — mas é sobretudo um posicionamento eleitoral.

Para evitar que o Brasil volte a trilhar os mesmos caminhos do passado será preciso união entre todos os que não são nem Lula nem Bolsonaro – e mais preciso ainda que essa união se mostre viável aos eleitores Brasileiros.

Mas Lula foi logo avisando — “Reinaldo tome muito cuidado com isso, toda a vez que você tenta pescar em terra seca não tem peixe. Num país desse tamanho você não inventa candidato, essa gente já em 2018 teve a oportunidade de garantir a democracia, mas todos votaram no Bolsonaro, É normal que todo o mundo procure seu rearranjo e todo o mundo pode ser candidato, mas no final o povo vai ter de escolher entre dois”.

Aqui, Luís Inácio remata pro gol. Desde 1994 eu sempre fui um desses dois. Lula tá de volta!

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Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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