Lula diz que Trump rasga a carta da ONU e que o Brasil não vai ‘abaixar a cabeça’

"O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo", disse o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Foto: REUTERS/Adriano Machado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o multilateralismo está sendo jogado fora e apontou para a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar o que Lula chamou de “nova ONU”, a ser comandada pelo norte-americano.

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Em encontro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Salvador, Lula reconheceu a larga superioridade bélica dos EUA e a precariedade das Forças Armadas brasileiras, mas rebateu, dizendo que o país não tem armas mas tem dignidade e não vai “abaixar a cabeça” para ninguém.

“O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo”, disse Lula.

“A carta da ONU está sendo rasgada”, disse. “E ao invés de a gente corrigir a ONU — que a gente reivindica desde que eu fui presidente em 2003, reforma da ONU, com a entrada de novos países — … o que está acontecendo? O presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU em que ele, sozinho, é o dono da ONU”, disse Lula à plateia de apoiadores.

Lula relatou que passou a semana conversando com diversos chefes de Estado na tentativa de resgatar o multilateralismo e evitar que prevaleça “a lei do mais forte”. Dentre os interlocutores citados por ele, estão o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum.

No discurso desta sexta, Lula afirmou que o país não tem “preferência” e deseja manter relações com diversos países, mas não aceita ser submetido à condição de “colônia” para que receba ordens.

“Não queremos mais guerra fria. Nós não queremos mais Gaza”, declarou o presidente.

“A gente não quer guerra… A gente não tem arma. Mas a gente tem caráter, dignidade, e a gente não vai abaixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja. A gente vai conversar, olho no olho, de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo.”