Lula critica Trump: “agiu como imperador do mundo” e interfere no Brasil

Presidente brasileiro rechaça postura de homólogo americano, aponta ingerência em questões nacionais e adverte sobre soberania

Lula critica Trump: "agiu como imperador do mundo" e interfere no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (17) a postura de seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, após o encerramento da cúpula do G7, na França. Em coletiva de imprensa em Genebra, o líder brasileiro afirmou que não solicitou um encontro bilateral com Trump devido às negociações sobre ameaças de tarifas americanas contra o Brasil.

Lula qualificou o então presidente americano como “muito desaforado” e que “agiu como imperador do mundo”. A tensão entre os dois chefes de Estado marcou o evento internacional e as declarações do brasileiro.

O que aconteceu

  • Lula critica Trump por postura “desaforada” e “imperador do mundo”, rechaçando encontro bilateral no G7.
  • Presidente brasileiro refuta classificação de Comando Vermelho e PCC como terroristas e aponta Miami como origem de armas para o Brasil.
  • Lula adverte Trump contra interferência em eleições no Brasil, rebatendo comentários sobre a família Bolsonaro.

Lula e as críticas à postura de Trump

Durante a coletiva, Lula fez duras críticas ao ex-presidente americano. Ele destacou que enviou por escrito diversas observações a Trump, que “fala muito e ouve pouco”, sobre temas sensíveis entre os dois países. Entre os pontos abordados, estava a declaração do governo Trump que classificava as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

O presidente brasileiro foi enfático ao rebater essa classificação. “Escrevi a ele que todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami, nos EUA”, revelou Lula. Ele acrescentou que as facções mencionadas “são criminosas para o povo brasileiro, não para o mundo”, diferenciando a perspectiva interna da externa.

Há ingerência americana na política brasileira?

Outro ponto de atrito foram os comentários de Trump sobre a família Bolsonaro. Lula rebateu as manifestações do americano a respeito da sentença de prisão do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o elogio ao apoio eleitoral pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência.

Lula foi categórico ao defender a soberania nacional. “Ele pode gostar dos Bolsonaros o quanto quiser. O que não pode é interferir nas eleições no Brasil”, frisou o presidente, enfatizando a importância do respeito à autonomia dos países em seus processos democráticos.

*Com ANSA