Lula critica “tarifas” dos EUA em artigo no Washington Post

Presidente afirma que política comercial dos EUA é ideológica e prejudica ambos os países; Brasil não será derrotado

Lula critica "tarifas" dos EUA em artigo no Washington Post

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post, criticando veementemente a política tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil. No texto, Lula rebateu os argumentos que motivaram as taxações, alertando para os prejuízos à economia estadunidense e reafirmando que “o Brasil não será derrotado com base em mentiras”, em meio à expectativa de um novo tarifaço.

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O que aconteceu

  • Luiz Inácio Lula da Silva critica a política tarifária dos EUA em artigo no The Washington Post.
  • O presidente brasileiro defende que as taxações americanas são ideológicas e prejudiciais para ambas as economias.
  • Brasil sinaliza que buscará novos parceiros comerciais como resposta às barreiras impostas.

O presidente Lula também destacou a existência de um caráter ideológico na decisão do governo de Donald Trump, visando, segundo ele, interferir na política brasileira e nas eleições deste ano. O texto completo, em português, foi divulgado nas redes sociais do presidente.

“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, afirmou Lula em seu artigo.

O presidente brasileiro fez menção às declarações de Marco Rubio, secretário de Estado que, no início de junho, excluiu o Brasil do rol de países amigáveis aos EUA na América Latina.

Brasil buscará outros parceiros?

No artigo, Lula reforçou o argumento que vem sendo utilizado pelo governo brasileiro desde o início das taxações, em abril de 2025: o de que, na relação comercial entre os dois países, os EUA são superavitários. Em seguida, afirmou que o Brasil vai procurar outros parceiros comerciais mundo afora.

“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”.

Tarifaço de 25% foi um erro?

No dia 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil.

Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Na publicação do Washington Post, Lula rebateu o USTR.

“Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano”.

Diálogo e reciprocidade: a posição brasileira

Lula ainda defendeu a atuação do Brasil contra o desmatamento, a legislação brasileira que combate crimes nas redes sociais e o Pix, sistema de pagamentos usado no Brasil. Todos esses foram pontos criticados pelo governo norte-americano em algum momento na relação recente entre os países.

“Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la”, encerrou o presidente, mantendo a disposição do Brasil para o diálogo. A postura brasileira ocorre em um cenário de pressão contra tarifas, após a não realização de uma reunião bilateral com os EUA.