O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou neste sábado (18) em Barcelona, na Espanha, que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas mudem seu comportamento, após falharem em impedir conflitos como a guerra no Irã. Em cúpula de líderes, Lula criticou a inação e a postura de certas potências globais.
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O que aconteceu
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o Conselho de Segurança da ONU e exigiu mudanças de postura de seus membros permanentes em cúpula na Espanha.
- Lula apontou falhas do órgão em conter conflitos e fez duras críticas a líderes como Donald Trump e Vladimir Putin, além de ações de Israel e o bloqueio a Cuba.
- O líder brasileiro defendeu o multilateralismo e a convocação de reuniões extraordinárias da ONU para debater a atual crise global.
Lula fez referência direta ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ao afirmar: “Não podemos acordar todas as manhãs e ir para a cama todas as noites com um tuíte de um presidente ameaçando o mundo e declarando guerras”. A declaração foi feita durante o Fórum Democracia Sempre, uma iniciativa lançada em 2024 para fortalecer a coordenação internacional em defesa da democracia.
“Nenhum presidente de país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras para outros países. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento”, reiterou o presidente. Os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU são China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Críticas às potências globais
O presidente brasileiro não poupou críticas a outras potências. “Para quem que o Putin pediu para invadir a Ucrânia? Para ninguém. Para quem que o Trump pediu pra invadir o Irã? Para ninguém. Para quem que Israel pediu pra invadir a Faixa de Gaza? Para ninguém. Para quem que (os EUA) pediu para invadir a Venezuela? Para ninguém”, questionou Lula.
Ele defendeu a necessidade de uma atuação mais assertiva da ONU. “Precisamos exigir que o secretário geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir para os cinco membros de segurança. A ONU não pode ficar silenciosa em ver o que está acontecendo no mundo”, afirmou Lula, referindo-se a António Guterres.
O multilateralismo está em risco?
“Temos que por no documento, uma convocação geral para discutir o que está acontecendo no mundo hoje. Com a destruição do multilateralismo, vai prevalecer a força do senhor da guerra”, disse o presidente brasileiro. Ele também expressou preocupação com Cuba, defendendo o fim do bloqueio econômico de décadas imposto pelos EUA à ilha.
Lula ainda destacou a situação do Líbano, que tem sido alvo de bombardeios israelenses e que deslocaram mais de 1 milhão de pessoas de suas casas. Ele ressaltou que o país “não pode ser vítima de cada guerra que Israel faz com alguém” e afirmou que o mundo vive hoje um cenário de imperialismo.
“Não queremos mais czar, nós não queremos mais imperador. O povo pobre merece uma chance de viver no sistema democrático…Todo dia nós somos ameaçados e não temos um fórum internacional para discutir”, concluiu Lula.