O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quarta-feira, 7, uma avaliação crítica sobre sua campanha no primeiro turno da eleição presidencial e afirmou que a estrutura montada neste ano foi a menos organizada de suas disputas pelo Palácio do Planalto desde 1989.
A declaração ocorreu durante um encontro com aliados em Brasília e foi feita ao lado de Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial.
Lula afirmou que a campanha ficou abaixo do que considerava possível e reconheceu que poderia ter feito mais durante a primeira etapa da eleição.
“Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989”, declarou.
Na sequência, o presidente acrescentou que “normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”.
Fala foi transmitida por acidente
A declaração fazia parte de uma conversa direcionada à militância e não estava inicialmente aberta à imprensa.
Parte do discurso, entretanto, acabou sendo transmitida publicamente pelo canal do PT no YouTube. A exibição foi interrompida enquanto Lula ainda discursava.
A avaliação expôs publicamente insatisfações que já vinham sendo discutidas entre integrantes da campanha após o resultado do primeiro turno.
Lula terminou a primeira etapa da eleição atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e agora busca reorganizar a estratégia para a votação decisiva, marcada para 25 de outubro.
Entre as mudanças planejadas estão uma presença maior do presidente nas redes sociais, reformulação da comunicação e maior mobilização de aliados e parlamentares.
Lula cobra Flávio sobre fim da escala 6×1
Durante o encontro, Lula também voltou a defender a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e cobrou publicamente um posicionamento de Flávio Bolsonaro.
O presidente desafiou o adversário a apoiar a proposta e também a orientar a bancada do PL no Senado a votar favoravelmente à medida.
A discussão sobre a jornada de trabalho ganhou espaço na campanha presidencial após o Senado iniciar a análise da proposta nesta semana.
Lula defendeu uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso, enquanto Flávio criticou o momento escolhido para a discussão da matéria e defendeu maior espaço para negociações entre trabalhadores e empregadores.
Campanha prepara mudanças para segundo turno
Além da pauta trabalhista, Lula pretende reforçar o discurso sobre segurança pública durante a segunda etapa da campanha.
O presidente defendeu a proposta que amplia as atribuições da União na área e indicou que o tema deverá receber maior destaque em suas agendas e discursos nas próximas semanas.
A campanha também trabalha para aumentar a exposição de Lula nas plataformas digitais e aproximá-lo de formatos utilizados em redes como TikTok e Instagram.
As mudanças fazem parte da tentativa de reorganizar a campanha para as semanas que antecedem o segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
Da IstoÉ