O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu a diferença nas intenções de voto em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Apesar da recuperação do petista, o diretor-executivo do instituto Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que o candidato do PL ainda possui uma pequena vantagem na corrida pelo Palácio do Planalto.
A análise foi feita nesta segunda-feira (19), após a divulgação de uma nova pesquisa BTG/Nexus, que mostra Flávio com 50,3% dos votos válidos, contra 49,7% de Lula. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento indica uma disputa mais equilibrada a menos de uma semana do segundo turno, marcado para domingo (25). Para Tokarski, embora Lula tenha recuperado parte do eleitorado nas últimas semanas, a participação dos eleitores no dia da votação poderá influenciar diretamente o resultado.
Lula recupera apoio entre eleitores de baixa renda
A melhora do desempenho de Lula está relacionada, principalmente, à recuperação de votos entre brasileiros com renda familiar de um a dois salários mínimos, segmento historicamente favorável ao presidente.
Na pesquisa anterior, divulgada em 13 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 52% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 48%. No levantamento mais recente, a vantagem numérica do senador caiu de quatro para 0,6 ponto percentual.
Considerando as intenções de voto totais, incluindo brancos, nulos e indecisos, Flávio aparece com 46,5%, ante 45,9% de Lula. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos candidatos, ambos registram 44,5%.
Os resultados mostram que o presidente conseguiu diminuir a distância em relação ao adversário, mas ainda não consolidou uma vantagem numérica.
Abstenção pode influenciar resultado do segundo turno
Um dos principais fatores destacados por Marcelo Tokarski é o comportamento dos eleitores que deixam de comparecer às urnas.
Segundo o executivo, a abstenção costuma atingir com maior intensidade a população de baixa renda, justamente uma das parcelas do eleitorado em que Lula apresenta melhor desempenho.
Essa característica pode representar um obstáculo adicional para o presidente, mesmo diante da recuperação apontada pelas pesquisas.
Na avaliação de Tokarski, Flávio Bolsonaro mantém um favoritismo discreto por aparecer numericamente à frente e pela possibilidade de que a ausência de eleitores no dia da votação tenha impacto maior sobre a candidatura petista.
O especialista, entretanto, ressalta que o cenário permanece indefinido e que não é possível antecipar o vencedor com base na diferença atual.
Eleitores dispostos a mudar de voto aumentam
Outro dado que reforça a incerteza eleitoral é o crescimento da parcela de brasileiros que admitem alterar sua escolha antes do segundo turno.
Segundo a pesquisa, esse grupo passou de 6,6% para 8,4% do eleitorado.
Embora represente uma parcela minoritária, o percentual pode ser relevante em uma disputa na qual os dois candidatos estão separados por menos de um ponto percentual nos votos válidos.
O perfil desses eleitores também apresenta características que podem beneficiar os dois lados. Entre eles, há maior presença feminina, segmento considerado mais favorável a Lula, mas também de pessoas com escolaridade e renda mais elevadas, grupos nos quais Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho.
Nesse contexto, as campanhas devem intensificar a busca por eleitores indecisos, além de trabalhar para garantir o comparecimento de seus apoiadores às urnas.
Debates e estratégias entram na reta final da campanha
Além da mobilização eleitoral, o desempenho dos candidatos nos debates e entrevistas ganhou importância nos últimos dias de campanha.
A equipe de Flávio Bolsonaro identificou dificuldades para alcançar eleitores que ainda não estão alinhados ao candidato. Entre os pontos avaliados está a necessidade de apresentar propostas de maneira mais objetiva e ampliar a comunicação para além de sua base de apoio.
Do lado de Lula, a recuperação nas pesquisas amplia a expectativa de uma disputa acirrada até o encerramento da votação.
A proximidade entre os candidatos indica que a capacidade de conquistar os últimos eleitores indecisos e reduzir a abstenção poderá ser determinante para o resultado.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa BTG/Nexus foi realizada por telefone entre os dias 16 e 18 de outubro, com 2.002 eleitores de diferentes regiões do Brasil.
O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04499/2026.
Da IstoÉ