Lula deve convidar Trump e Milei para posse em janeiro, apesar de tensões

Presidente reeleito pretende reunir líderes estrangeiros em Brasília no dia 5 de janeiro de 2027; gesto busca preservar diálogo com Estados Unidos e Argentina

Lula deve convidar Trump e Milei para posse em janeiro, apesar de tensões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve convidar os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, para a cerimônia de posse de seu novo mandato, marcada para 5 de janeiro de 2027, em Brasília.

A iniciativa faz parte de uma estratégia diplomática para preservar as relações do Brasil com outros países, mesmo diante das divergências políticas que marcaram o período eleitoral.

Segundo integrantes do governo brasileiro, os convites deverão ser encaminhados aos chefes de Estado dos países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas.

A expectativa é que Trump e Milei sejam incluídos nessa lista, apesar de ambos ainda não terem reconhecido oficialmente a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

Convites buscam superar diferenças políticas

A intenção do Palácio do Planalto é demonstrar que as relações diplomáticas devem continuar independentemente das posições políticas dos governantes.

O convite a Trump e Milei é considerado um gesto de abertura ao diálogo, especialmente após os atritos registrados durante a campanha presidencial brasileira.

Auxiliares de Lula avaliam que a cerimônia de posse pode representar uma oportunidade para reafirmar a disposição do Brasil de manter relações institucionais com os dois países.

A eventual presença dos presidentes estrangeiros, entretanto, dependerá da decisão de cada governo.

Até o momento, não há confirmação de que Trump ou Milei comparecerão à solenidade.

Relação com os Estados Unidos enfrenta momento delicado

As relações entre Brasília e Washington passaram por novas tensões após a eleição presidencial brasileira.

Trump ainda não reconheceu oficialmente o resultado que garantiu a reeleição de Lula.

O governo americano também se tornou alvo de questionamentos sobre a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após sua derrota nas urnas.

Apesar desse cenário, o governo brasileiro considera importante manter os canais diplomáticos abertos.

Uma das prioridades é retomar as negociações para reduzir tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Integrantes do governo avaliam que o cenário político americano poderá favorecer uma postura mais pragmática de Trump após as eleições legislativas de meio de mandato.

Governo Lula não espera aproximação com Milei

A relação com a Argentina apresenta dificuldades próprias.

Javier Milei mantém divergências ideológicas com Lula e fez críticas ao presidente brasileiro durante o processo eleitoral.

O governo argentino também passou a ser alvo de questionamentos sobre a possível participação de integrantes de sua administração na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Mesmo diante das tensões, o Planalto pretende manter a Argentina entre os países convidados para a posse.

A avaliação interna, porém, é que não há perspectivas imediatas de uma aproximação política significativa entre Lula e Milei.

A prioridade será preservar o funcionamento das relações diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Lula poderá encontrar os presidentes antes da posse

Antes da cerimônia de janeiro, Lula poderá participar de encontros internacionais que também deverão contar com representantes dos Estados Unidos e da Argentina.

Entre os compromissos previstos para dezembro estão a Cúpula do Mercosul e a reunião de líderes do G20.

Esses eventos poderão abrir espaço para conversas diplomáticas e para a reafirmação dos convites à posse.

A realização de encontros bilaterais, entretanto, ainda depende da confirmação das agendas dos participantes.

O governo brasileiro pretende aproveitar essas oportunidades para manter o diálogo sobre questões econômicas e internacionais.

Posse presidencial será em 5 de janeiro

A cerimônia de posse do presidente da República ocorrerá em 5 de janeiro de 2027, diferentemente da data tradicional de 1º de janeiro.

A alteração foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, promulgada em 2021.

A mudança busca reduzir dificuldades logísticas associadas ao feriado de Ano-Novo e facilitar a participação de autoridades nacionais e estrangeiras.

A posse presidencial será realizada em sessão do Congresso Nacional, com a presença do presidente e do vice-presidente eleitos.

A programação também deverá incluir atos oficiais no Palácio do Planalto.

Os horários e os detalhes da solenidade ainda serão divulgados.

Presença de líderes estrangeiros pode marcar novo mandato

Na posse de Lula em janeiro de 2023, representantes de diversos países participaram das cerimônias em Brasília.

Na ocasião, 21 chefes de Estado e de governo estiveram presentes.

O número de autoridades estrangeiras que comparecerão à posse de 2027 ainda é desconhecido.

O governo brasileiro pretende utilizar a solenidade para reforçar sua disposição de manter relações diplomáticas com diferentes países.

Nesse contexto, os convites a Trump e Milei terão significado político, mesmo que os dois presidentes decidam não comparecer.

Da IstoÉ