Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e alerta para risco de escalada internacional

SÃO PAULO, 3 JAN (ANSA) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, neste sábado (3), e afirmou que a ofensiva ultrapassa “uma linha inaceitável” na relação entre países.   

“Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu ele nas redes sociais.   

Segundo o petista, a ação militar é uma “flagrante violação do direito internacional”, além de ser “o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.   

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, acrescentou.   

Lula também reforçou que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”.   

De acordo com o líder brasileiro, “a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”.   

“O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, concluiu.   

Mais cedo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também condenou o ataque e pediu paz, afirmando que crises como essa trazem “impacto múltiplo” ao Brasil.   

“Nós sempre queremos trabalhar pela PAZ. Nada justifica conflitos terminarem em bombardeio. Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontecem em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde”, escreveu.   

Segundo Padilha, o SUS de Roraima — estado que faz fronteira com a Venezuela — já “absorvem impactos da situação”.   

“Desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, preparamos a nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para reduzirmos, ao máximo, os impactos do conflito na saúde e no SUS brasileiro.   

Que venha a PAZ! Enquanto isso, cuidaremos de quem precisa ser cuidado, em solo brasileiro”, completou.   

Os Estados Unidos realizaram na madrugada deste sábado (3) um ataque aéreo em larga escala contra a Venezuela, atingindo a capital, Caracas, após semanas de tensão diplomática. A ofensiva culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, que, segundo autoridades norte-americanas, foi retirado do país juntamente com sua esposa, Cilia Flores. (ANSA).