Lula comemora acordo UE-Mercosul ao lado de Von der Leyen

Lula comemora acordo UE-Mercosul ao lado de Von der Leyen

"UrsulaEm coletiva, Lula destacou longo processo de negociação e força do multilateralismo, enquanto Von Der Leyen elogiou papel do presidente brasileiro nas negociações. Texto será assinado no Paraguai, no sábado.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na tarde desta sexta‑feira (16/01), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para celebrar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O texto será assinado no sábado, em Assunção, no Paraguai, após o bloco europeu atrasar a aprovação do tratado devido à resistência de países como a França.

"Amanhã, em Assunção, União Europeia e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de 22 trilhões de dólares", disse Lula em coletiva de imprensa após o encontro.

O presidente destacou que "foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de acordo para que a parceria saísse do papel". "Essa é uma parceria baseada no multilateralismo. Reafirmamos nosso pleno respeito a todos os pactos internacionais que assumimos nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio", continuou Lula.

"Quando determinei a retomada das negociações, deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e reindutrialização do Brasil", argumentou.

Já Von Der Leyen disse que o acordo "envia uma mensagem poderosa".

"O acordo tem uma mensagem forte que diz: sejam bem-vindos ao maior mercado do mundo. Este é o poder da parceria e da abertura. […] E é assim que criamos prosperidade real", disse.

Lula não participará de assinatura do acordo

Segundo o Palácio do Planalto, Lula e Von Der Leyen também discutiram temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo.

Apesar de seu papel central nas negociações, Lula será o único presidente do Mercosul que não estará presente na cerimônia. Auxiliares do Palácio do Planalto justificam a ausência pela decisão de última hora do Paraguai de elevar o ato ao nível presidencial.

A representação brasileira, portanto, ficará a cargo do chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Os presidentes de Paraguai e Uruguai, Santiago Peña e Yamandú Orsi, respectivamente, confirmaram presença. O argentino Javier Milei, com quem Lula mantém uma relação distante, também é esperado no evento de sábado.

A reunião desta sexta era considerada pelo governo brasileiro o momento mais simbólico da reta final das negociações, já que permitiria a Lula consolidar a imagem de principal articulador do avanço do tratado após mais de duas décadas de impasses diplomáticos.

Interlocutores falavam que era a oportunidade de Lula ser fotografafo sozinho ao lado de Von der Layen e, ainda, evitar um palanque ao lado de Milei.

Na coletiva de imprensa, Von Der Leyen elogiou o papel de Lula nas negociações.

"Amanhã assinaremos o acordo, mas antes disso é importante para mim me reunir com o senhor, Lula. Por mais de duas décadas inúmeros negociadores trabalharam nesse acordo. Ele é uma conquista de uma geração inteira, mas a liderança política, compromisso pessoal que o senhor mostrou são enormes."

Lula no papel de protagonista

Lula assumiu protagonismo nas tratativas com a União Europeia e buscou costurar apoio interno e externo para superar resistências históricas, sobretudo as levantadas por setores europeus da agricultura e pecuária, que seguem mobilizados contra o tratado.

Em dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu , Lula tentou concluir o acordo antes de passar a presidência rotativa do bloco para o Paraguai. Sem consenso entre os países europeus, o acordo veio um mês depois , mesmo diante da resistência de alguns membros, como a França e de setores que criticam possíveis impactos sobre a concorrência agrícola e o clima.

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, envolvendo mercados que representam cerca de 30% do PIB global e mais de 720 milhões de habitantes.

gq/sf/le (Agência Brasil, ots)