O crescimento da votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Sudeste foi um dos principais fatores para sua vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Embora o senador tenha terminado à frente na região, o presidente conseguiu reduzir significativamente a diferença entre os dois candidatos e ampliar sua vantagem nacional.
Lula conquistou aproximadamente 10,3 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turnos. Desse total, 4,8 milhões vieram de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
O desempenho corresponde a 46,7% dos votos extras recebidos pelo petista em todo o país, demonstrando a importância do Sudeste para a definição do resultado eleitoral.
Ao final da apuração, Lula garantiu a reeleição com uma vantagem nacional de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro venceu no Sudeste, mas perdeu vantagem
O Sudeste reúne o maior contingente de eleitores do Brasil, com aproximadamente 66,7 milhões de pessoas aptas a votar.
No segundo turno, Flávio Bolsonaro recebeu 52,76% dos votos válidos na região, enquanto Lula alcançou 47,24%.
Em números absolutos, o senador conquistou cerca de 26,84 milhões de votos, contra 24,04 milhões do presidente.
Apesar da vitória regional, a diferença entre os candidatos diminuiu consideravelmente em relação ao primeiro turno.
Na primeira etapa da eleição, Flávio havia terminado com uma vantagem de aproximadamente 5,66 milhões de votos no Sudeste.
No segundo turno, essa distância caiu para cerca de 2,81 milhões.
A redução foi fundamental para permitir que Lula compensasse os resultados desfavoráveis em outras regiões.
Minas Gerais registrou virada a favor de Lula
Um dos movimentos mais relevantes ocorreu em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
No primeiro turno, Lula havia terminado aproximadamente 589 mil votos atrás de Flávio Bolsonaro no estado.
Na segunda votação, o presidente conseguiu reverter a diferença e venceu o adversário por cerca de 107 mil votos.
Entre as duas etapas, Lula acrescentou aproximadamente 1,16 milhão de votos em Minas Gerais, enquanto Flávio obteve um crescimento de cerca de 461 mil.
O resultado manteve uma característica histórica das eleições presidenciais brasileiras desde 1989: o candidato vencedor em Minas Gerais também conquistou a Presidência da República.
A virada mineira teve peso importante na redução da vantagem regional de Flávio Bolsonaro.
Nordeste manteve papel fundamental na vitória petista
Embora o Sudeste tenha concentrado a maior parcela do crescimento absoluto de Lula entre os turnos, o Nordeste continuou sendo a principal base eleitoral do presidente.
Na região, o petista recebeu aproximadamente 24,45 milhões de votos, equivalentes a 69,37% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro conquistou cerca de 10,79 milhões de votos, ou 30,63%.
A diferença entre os dois candidatos no Nordeste chegou a aproximadamente 13,65 milhões de votos.
Esse resultado ajudou a compensar as vantagens obtidas pelo senador do PL no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste.
Entre o primeiro e o segundo turnos, Lula também ampliou sua votação no Nordeste em cerca de 2,95 milhões de votos.
O desempenho reforçou a importância histórica da região para o Partido dos Trabalhadores.
Lula também cresceu em estados do Sul
O avanço eleitoral do presidente não ficou restrito ao Sudeste e ao Nordeste.
Na região Sul, onde Flávio Bolsonaro obteve sua maior votação proporcional, Lula também conseguiu ampliar sua base de apoio.
O senador terminou o segundo turno com aproximadamente 11,3 milhões de votos, equivalentes a 62,58% dos votos válidos da região.
Lula recebeu cerca de 6,8 milhões.
Apesar da derrota regional, o presidente acrescentou aproximadamente 1,33 milhão de votos em relação ao primeiro turno.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, conquistou cerca de 866 mil votos adicionais.
Com isso, a vantagem do candidato do PL no Sul diminuiu de aproximadamente 5,04 milhões para 4,58 milhões de votos.
Crescimento regional explica virada nacional
A análise dos resultados mostra que a vitória de Lula não dependeu exclusivamente de seu desempenho nas regiões onde já possuía maior apoio.
O presidente conseguiu ampliar a votação também em áreas nas quais Flávio Bolsonaro permaneceu na liderança.
Esse crescimento reduziu as diferenças regionais e contribuiu para a virada no resultado nacional.
No primeiro turno, Lula havia terminado aproximadamente 2,2 milhões de votos atrás do senador.
Na votação decisiva, o petista conseguiu inverter o cenário e assegurar mais um mandato presidencial.
Os números evidenciam como a capacidade de conquistar novos eleitores entre os turnos foi determinante para o resultado das eleições de 2026.
Da IstoÉ