Ministros dos tribunais superiores estão com a impressão de que após o envolvimento direto dos militares no processo eleitoral, ao fazerem coro com Bolsonaro nas críticas ao que chamam de “falta de transparência na votação eletrônica”, as Forças Armadas poderão não dar posse a Lula da Silva caso o placar seja apertado e o resultado das urnas não possa ser auditado e os votos recontados. Essa apreensão de alguns ministros parte, sobretudo, das ameaças veladas que o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, estaria fazendo nos bastidores: ele tem dito que o TSE não tem colaborado no sentido de atender suas reivindicações, principalmente sobre a necessidade de o tribunal contratar uma empresa para fazer a contagem paralela dos votos, além da chamada “sala secreta”.

Imposição

Os militares, de acordo com essa versão, só não melariam as eleições se o TSE adotar todas as medidas que o Ministério da Defesa encaminhou a Fachin ou se Lula for eleito com uma grande diferença de votos a seu favor. Outra condição em que eles nada farão, obviamente, é se Bolsonaro for o vencedor. Paulo Sérgio falaria em nome do capitão.

O golpe

A grande dúvida em torno da movimentação do general nos bastidores de Brasília, no Alto- Comando e junto aos comandantes das Três Forças (Exército, Marinha e Aeronáutica), é se Paulo Sérgio fala por todos ou apenas por Bolsonaro, que nunca escondeu que gostaria de dar um golpe para se perpetuar no poder. Se ele falar pelas tropas, estamos fritos.

“Quem ganhar, será diplomado”

Se ganhar a eleição, Lula tomará posse? Essa é uma pergunta que circula entre gabinetes de Brasília
Andressa Anholete

Alexandre de Moraes, do STF, disse no sábado, 14, que espera dar posse ao brasileiro que vier a ser eleito em outubro, quando ele já será o presidente do TSE. “Quem ganhar vai ser diplomado”, garante o ministro, que vem sendo “apedrejado” nas mídias sociais por bolsonaristas. A cada dia que passa, aumentam as ameaças no sentido de que se não der Bolsonaro, os militares farão uma “bagunça” no País.

Retrato falado

Se ganhar a eleição, Lula tomará posse? Essa é uma pergunta que circula entre gabinetes de Brasília
“O Brasil não admite mais aventuras autoritárias” (Crédito: Rui Santos)

Desde a redemocratização, o País não passava por um período tão conturbado como o atual. Ao final de testes sobre a segurança das urnas eletrônicas, na semana passada, o ministro do TSE, Edson Fachin, assegurou que quem cuidará do processo eleitoral serão os civis. E, num claro recado a Bolsonaro, afirmou que os juízes “desarmados” do TSE é que cuidarão da apuração das eleições e podem até aceitar sugestões, “mas incitar a intervenção militar é uma afronta”.

Toma lá dá cá

Se ganhar a eleição, Lula tomará posse? Essa é uma pergunta que circula entre gabinetes de Brasília
Alvaro Dias, líder do Podemos no Senado (Crédito:Saulo Rolim)

Como avalia as falas de Bolsonaro sobre fraude nas eleições?
A história demonstra que não há hipótese concreta de fraude nas urnas. Mas há, sim, a contaminação do processo eleitoral pelo fundão exorbitante e pelo orçamento secreto, o que é uma espécie de estelionato eleitoral.

Qual será a posição do Podemos no primeiro turno?
Defendo que o partido permaneça independente, sem vínculo com via alguma, e monitore os movimentos da política até julho, para decidir se lança candidato próprio ou libera os diretórios.

No Paraná, Deltan Dallagnol é o principal candidato à Câmara. Qual a projeção de votos?
A candidatura dele, segundo se anuncia, pode ser impugnada. Mas não terão sucesso. A votação será expressiva.

As incertezas da eleição

Na eleição de 2002, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente e Lula despontava como o candidato que deveria ser eleito para sucedê-lo, o dólar, que estava em R$ 2, chegou a R$ 4 e o Brasil precisou pedir um empréstimo do FMI para sanear as contas. Vinte anos depois, com Lula assumindo a liderança em todos os prognósticos das pesquisas eleitorais, tudo indica que, novamente, teremos abalos pelo efeito da turbulência política na economia. Hoje, as incertezas na sucessão de Bolsonaro têm contribuído para a inflação superar os 12% em doze meses e elevar as taxas de juros a 12,75%, com a previsão de subir ainda mais um ponto na próxima reunião do Copom.

Efeito Putin

Para piorar, os efeitos internos de uma eleição conturbada, que contém até ameaça de golpe por parte de Bolsonaro, somam-se aos danos externos, como é o caso da guerra na Ucrânia, já que a escassez de trigo e de fertilizantes afeta nossa agropecuária. Sem contar com os danos da volta da Covid na China.

Virou bagunça

A Advocacia-Geral da União (AGU), criada constitucionalmente para atender as causas de Estado, está sendo usada para defender, na Justiça Federal, até Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, fantasma no gabinete do então deputado Jair Bolsonaro (de 2003 a 2018). Ela nunca foi a Brasília, mas “dava expediente” no gabinete de Messias no DF.

Se ganhar a eleição, Lula tomará posse? Essa é uma pergunta que circula entre gabinetes de Brasília
Divulgação

Guerra pelo Senado

O bolsonarismo está em guerra interna em vários estados na briga por uma vaga no Senado. Em São Paulo, o presidente diz apoiar o apresentador José Luiz Datena, mas Janaína e Zambelli estapeiam-se pelo posto. No Rio, o deputado Daniel Silveira, especialista também em escamotear tornozeleiras eletrônicas, quer a vaga do baixinho Romário.

Esquentando os motores

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Eduardo Anizelli/

Ao mesmo tempo em que acompanha a definição da candidatura de Doria a presidente, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, trabalha “com afinco” pela reeleição de Rodrigo Garcia (PSDB). Ele tem ajudado a montar as estratégias de Rodrigo e tem sido um dos elosde ligação junto aos mais de 500 prefeitos que apoiam o governador no Estado.

Rápidas

* O novo governador de São Paulo, que deseja ser chamado apenas por Rodrigo, vem modelando o governo bem ao seu estilo, como bom gestor que é: acaba de nomear o infectologista David Uip para a secretaria Especial de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde.

* O clima anda quente também nos veículos de comunicação usados pelo bolsonarismo. Na Rádio Jovem Pan, a maioria dos articulistas e muitos dos entrevistados, sempre ligados ao capitão, chamam Lula de ex-presidiário.

* Lula casou nesta quarta, 18, com Rosângela da Silva, a Janja, mas a lua de mel foi mesmo na cela onde passou 500 dias em Curitiba. Ele já vem morando com ela num estiloso imóvel nos Jardins, há tempos. Dinheiro não falta.

* Lu Alckmin, esposa do futuro vice de Lula, pode ser candidata a deputada federal pelo PSB-SP. Tem chance de ser eleita e, por cima, pode ser a primeira-dama caso o petista seja eleito e venha a se ausentar.