O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou nesta sexta-feira (9) os principais nomes de seu futuro gabinete, incluindo o ex-ministro da Educação Fernando Haddad para a Fazenda e o ex-chanceler Mauro Vieira para comandar o Itamaraty.
“(Escolhi) o companheiro Fernando Haddad como ministro da Fazenda”, disse Lula, durante coletiva de imprensa em Brasília, na qual também anunciou o governador da Bahia, Rui Costa, como ministro-chefe da Casa Civil.
Haddad, que foi ministro da Educação, prefeito de São Paulo e candidato à Presidência do PT derrotado por Bolsonaro em 2018, é visto com reservas pelo mercado, que teme um aumento excessivo dos gastos públicos durante sua gestão.
Aos 59 anos, Haddad sucederá Paulo Guedes, que está à frente da pasta da Economia, um “superministério” que o presidente Jair Bolsonaro criou, ao fundir as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria.
Dias atrás, a possível nomeação deste professor de Ciências Políticas fez a Bolsa de São Paulo cair e o dólar subir.
Após o anúncio de sua nomeação, o índice Ibovespa da Bolsa de São Paulo operava em leve alta (+0,5%) por volta das 11h50.
A expectativa é que Haddad promova “um aumento do gasto público (…) e um Estado maior com um papel importante das empresas públicas”, afirmou à AFP Antônio Madeira, economista da MCM Consultores.
Lula assegurou nesta sexta, em Brasília, que voltará a criar o Ministério do Planejamento, para o qual vai nomear alguém “apto para cuidar do orçamento”, em sintonia com Haddad.
– Mais mulheres e negros –
Lula também anunciou que o Itamaraty será chefiado por Mauro Vieira, um diplomata de carreira, que foi ministro das Relações Exteriores no segundo mandato de Dilma Rousseff (2015-2016).
Vieira, de 71 anos, foi embaixador na Argentina (2004-10), nos Estados Unidos (2010-15) e, após o impeachment de Dilma, foi nomeado embaixador do Brasil nas Nações Unidas (2016-2020).
Atualmente, é embaixador na Croácia.
Ele integrou a comitiva que acompanhou Lula em novembro à conferência da ONU sobre o clima, a COP27, no Egito, durante a qual Lula anunciou que “o Brasil está de volta” ao cenário internacional, após o que chamou de quatro anos de “isolamento” durante o governo Bolsonaro.
Para chefiar a Casa Civil, Lula escolheu Rui Costa, governador da Bahia.
À frente do Ministério da Defesa, o presidente eleito anunciou José Múcio Monteiro, ex-presidente do Tribunal de Contas da União.
Também anunciou nesta sexta, para comandar o ministério da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz federal Flávio Dino, que governou o Maranhão entre 2015 e 2022.
Lula afirmou que ainda está definindo o número total de seus ministérios e que novas nomeações ocorrerão a partir da semana que vem.
Entre os nomes mais aguardados está o de quem dirigirá o Ministério do Meio Ambiente, que Lula prometeu dotar de recursos para combater o desmatamento e preservar a Amazônia.
O presidente eleito prometeu formar um governo com mais diversidade, com a cara da sociedade brasileira.
“Vai chegar uma hora em que vocês vão ver mais mulheres aqui do que homens, e vai chegar uma hora em que vocês vão ver a participação de muitos companheiros afrodescendentes”, assegurou nesta sexta, após anunciar cinco homens para compor seu gabinete.
Lula, que derrotou Bolsonaro no segundo turno, em 30 de outubro, será empossado em 1º de janeiro de 2023 para um terceiro mandato, após ter sido presidente do Brasil entre 2003 e 2010.