O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 29, em entrevista à rádio Itatiaia, que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teria usado informações falsas sobre o Pix, em janeiro deste ano, para “defender o crime organizado”.
Sem citar o parlamentar nominalmente, o petista disse que o deputado acusou o governo federal de querer taxar o meio de pagamento, o que provocou um crise institucional e facilitou, segundo o presidente, a atuação de empresas associadas ao PCC, que foram alvos de operação da Receita Federal na quinta-feira, 28.
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“Você viu que um deputado, que eu não vou dizer o nome dele aqui, fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer, que vai ser feita agora, porque naquele tempo a mudança era para combater o crime organizado”, disse o presidente.
“Agora vamos adotar apuração mais rígida com as fintechs, porque descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado. Ontem fizemos a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil. Para pegar, como diz o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad, o andar de cima, porque por enquanto só ia no andar de baixo, agora nós queremos saber quem é que efetivamente faz parte do crime organizado. Quem fizer, vai aparecer”, afirmou.
“Está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado”, emendou o mandatário, em entrevista à Rádio Itatiaia.
Secretário também criticou vídeo do deputado
Na quinta-feira, 28, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, também citou que a desinformação divulgada sobre a normativa de janeiro teria atrapalhado a fiscalização de fintechs, como as suspeitas de envolvimento com o PCC no setor de combustível.
Não há provas, no entanto, de que o vídeo divulgado pelo deputado tenha relação direta com o caso. Mesmo assim, Barreirinhas afirmou que a ação do órgão mostrou quem se beneficiou com a revogação da norma que aumentava a fiscalização de transferências via Pix acima de R$ 5 mil.
“Essas fake news foram tão fortes, que apesar de todo o esforço da Receita Federal, nós não conseguimos seguir essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava. […] E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras, com essas fake news”, pontuou o secretário, em entrevista coletiva.
Devido à grande repercussão do vídeo de Nikolas Ferreira, o governo revogou o ato normativo que previa regras para a fiscalização de fintechs e bancos digitais.
Operação Carbono Oculto
A Receita Federal, em conjunto com outros órgãos, deflagrou a Operação Carbono Oculto, que tem como objetivo desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além dos postos, estão na mira diversas outras empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição.
Segundo as investigações, o PCC teria usado mais de mil postos de combustíveis para movimentar cerca de R$ 52 bilhões entre os anos de 2020 e 2024. A organização criminosa se valia de fintechs, que operavam como bancos, e de ao menos 40 fundos de investimentos para ocultar o patrimônio. Ao todo, 42 alvos foram localizados em cinco endereços na Avenida Faria Lima, em São Paulo, local considerado o maior centro empresarial do País.