Aos 41 anos, a cantora Luiza Possi dividiu com seus seguidores e fãs nas redes sociais que, depois de 25 anos interpretando canções sobre o amor, em estilos que vão da MPB ao pop, em diferentes idiomas, decidiu direcionar sua voz para expressar sua fé e o amor que sente por Jesus Cristo.
Luiza também anunciou a chegada de seu próximo álbum, intitulado “É Só o Amor”, que será lançado no dia 5 de março. O projeto contará com a participação de Péricles, de 56 anos, na música “Estou Apaixonado”. Segundo ela, o trabalho representa o encerramento de um ciclo importante em sua carreira.
“Sempre interpretei o amor. Acredito no amor que existe no silêncio, não naquele que precisa se mostrar. Acredito no amor que permanece, e não no que simplesmente desaparece. É o amor que continua mesmo quando ninguém mais decide ficar. É esse amor que sempre trouxe nas minhas canções”, disse.
A cantora explicou que o novo disco, apesar de abordar diferentes formas de amar, também simboliza o fim de uma etapa de 25 anos de carreira. “Esse álbum marca o fim de uma fase e o começo de outra. A partir de agora, quero dedicar minha voz ao meu amor pelo meu salvador, Jesus Cristo. Vou expressar esse sentimento pelo amor de Deus, que hoje ocupa o primeiro lugar na minha vida”, declarou.
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A mudança de estilo musical é algo comum no universo da música, e o cenário gospel também recebe artistas vindos de outros gêneros. Com o passar dos anos, cantores que antes atuavam no pop, no rock ou até no samba decidiram direcionar suas carreiras para a produção de músicas de temática religiosa.
Embora essa escolha tenha causado surpresa em parte do público, Luiza não é a única a seguir esse caminho. A reportagem da IstoÉ Gente relembra, a seguir, nomes da música que deixaram o pop e a MPB para se dedicar ao gospel.
Baby do Brasil
Conhecida por ter integrado o grupo Novos Baianos, um dos marcos da MPB e do rock nacional nos anos 1970, Baby do Brasil também construiu carreira ao lado do guitarrista e cantor Pepeu Gomes, com quem teve seis filhos. Após alcançar grande sucesso com canções como “Sem pecado e sem juízo”, “Telúrica” e “Menino do Rio” — composição de Caetano Veloso que integrou a trilha da novela “Água Viva”, da Rede Globo —, a artista se apresentou com Pepeu na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Já no final da década de 1990, ela se converteu ao evangelho e criou sua própria igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, passando a se autodenominar “popstora”. Mesmo atuando no meio religioso, também manteve projetos seculares e lançou álbuns como “Exclusivo para Deus” (2000) e “Geração Guerreiros do Apocalipse” (2011).
Luciano Camargo
Com mais de três décadas de trajetória na música sertaneja ao lado do irmão na dupla Zezé Di Camargo & Luciano, o cantor decidiu explorar paralelamente o gênero gospel durante o período da pandemia de covid-19. Na mesma época, Zezé também desenvolveu um projeto solo e lançou o álbum “Rústico”. Sobre sua decisão, Luciano contou no programa Conversa com o Bial: “Muita gente acha que foi planejado o meu álbum, mas não foi. Foi muito rápido, eu não contei para ninguém. As únicas pessoas que sabiam do projeto eram minha esposa e o meu produtor”.
Mara Maravilha
Antes da conversão religiosa, Mara Maravilha acumulou mais de dez álbuns na carreira, com sucessos como “Fica Comigo”, “Liga Pra Mim”, “Show Maravilha” e “Importante é Ser Feliz”. Em 1998, lançou seu primeiro trabalho voltado ao público cristão, o CD “Abra Seu Coração”, que inclui músicas como “Obrigado Jesus” e “Rei Davi”. Desde então, além de seguir na música, também investiu na carreira como apresentadora de televisão.
Perlla
Perlla começou sua carreira no funk e ganhou destaque nacional em 2006 com o hit “Tremendo vacilão”. A cantora permaneceu no estilo até 2012, quando anunciou sua conversão e a decisão de seguir na música evangélica. No ano seguinte, lançou seu primeiro álbum cristão, intitulado “A Minha Vida Mudou”. Entre 2017 e 2022, voltou temporariamente ao funk, mas em 2022 comunicou novamente que passaria a se dedicar ao gospel.
Régis Danese
Antes de ganhar notoriedade no universo da música gospel, Régis Danese teve passagem por outros estilos. Ele compôs para o grupo de pagode Só Pra Contrariar, integrou a dupla sertaneja João Geraldo & Maziero e, apenas em 2004, iniciou carreira solo voltada ao segmento evangélico. Em 2009, foi indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Cristão em Português pelo disco “Compromisso”.
Sula Miranda
Sula Miranda iniciou sua trajetória artística no grupo As Melindrosas, formado por duas de suas irmãs e uma amiga. O conjunto conquistou grande popularidade entre o público infantojuvenil e permaneceu ativo por cerca de três anos. Após esse período, a cantora ficou quatro anos afastada da indústria musical e retornou apostando no sertanejo em carreira solo. Já em 2022, deu início à sua fase na música gospel ao lançar o primeiro DVD do gênero, com participações especiais de nomes como Dona Ruth, Buchecha, Naldo e Yudi Tamashiro.
Thalles Roberto
Antes de se consolidar como cantor gospel, Thalles Roberto teve experiência como músico em bandas como Jota Quest e Jamil e Uma Noites. Em 2009, lançou seu primeiro projeto voltado à música cristã e passou a construir carreira no segmento com canções conhecidas como “Arde Outra Vez” e “Deus da Minha Vida”. Durante sua trajetória, também realizou turnês ao lado do grupo Renascer Praise. O artista conquistou um Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Cristão em Língua Portuguesa com o projeto “Deixa Vir – Vol II (Ao Vivo)”.
Waguinho
Entre 1994 e 1999, Waguinho fez parte do grupo de pagode Os Morenos e também integrou a ala de compositores da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Sua trajetória mudou após o casamento com Fabíola Bastos, missionária, quando se converteu à igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em 2003. Depois disso, criou um centro de recuperação para dependentes químicos e passou a dedicar sua carreira à música gospel.