Morre o cineasta Luiz Carlos Barreto nesta quarta-feira, 22 de maio, aos 98 anos, no Hospital Copa Star, em Copacabana, Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele estava internado desde segunda-feira, 20, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. A perda marca o fim de uma era para o cinema brasileiro, que ele ajudou a moldar por mais de seis décadas.
Da IstoÉ
O que aconteceu
- O cineasta Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema nacional, morre aos 98 anos no Rio de Janeiro.
- Barretão, como era conhecido, estava internado para tratar uma infecção pulmonar.
- Sua trajetória abrange mais de seis décadas no audiovisual, desde a fotografia até a produção de clássicos.
O velório de Luiz Carlos Barreto será realizado nesta quinta-feira, 23, no Palácio da Cidade, em Botafogo, seguido de cremação no Memorial do Caju. Barretão deixa a mulher, a produtora Lucy Barreto, com quem foi casado por 71 anos, os filhos Bruno e Paula, nove netos e oito bisnetos. O filho Fábio Barreto morreu em 2019.
Carreira multifacetada de Barretão
A trajetória de Barretão atravessa mais de seis décadas do audiovisual brasileiro. Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, ele começou sua carreira como repórter-fotográfico da revista “O Cruzeiro”, onde teve a oportunidade de fotografar personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe. Essa experiência foi fundamental para moldar seu olhar para a imagem, que posteriormente revolucionaria o Cinema Novo.
Foi a convite do renomado diretor Glauber Rocha que Luiz Carlos Barreto estreou na direção de fotografia, no filme “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos. “Você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste”, lembrou Barretão, citando Glauber. Em 1967, ele fotografou “Terra em Transe”, obra considerada fundamental para o movimento cinematográfico da época.
Qual o legado de Luiz Carlos Barreto na produção?
No entanto, foi na produção cinematográfica que Luiz Carlos Barreto encontrou sua grande vocação e deixou sua marca indelével. Ele reuniu talentos, viabilizou inúmeros projetos e entregou ao país títulos históricos que se tornaram clássicos, como “Garrincha, Alegria do Povo”, “Bye Bye Brasil” e “Memórias do Cárcere”. Sua capacidade de identificar e fomentar grandes obras foi um diferencial em sua carreira.
Seu maior sucesso comercial foi “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, estrelado por Sônia Braga e dirigido por seu filho Bruno Barreto. Lançado em 1976, o filme bateu recordes de bilheteria e permaneceu por mais de três décadas como a produção brasileira mais vista nos cinemas nacionais, consolidando-o como um dos maiores produtores da história do cinema brasileiro.
A família Barreto construiu junto a produtora LC Barreto, que levou o Brasil à indicação ao Oscar em duas ocasiões: com “O Quatrilho”, dirigido por Fábio Barreto, e “O Que É Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto. “O cinema é uma doença que, quando dá, dá na família inteira”, costumava brincar Luiz Carlos Barreto, refletindo a paixão compartilhada por sua prole.
Além de seu amor pelo cinema, Barretão era um apaixonado pelo Flamengo e quase se tornou atleta olímpico. Ele foi convocado para a seleção que disputaria os Jogos de Londres em 1948, mas acabou sendo cortado por falta de verba. “Perdi minha oportunidade de ser campeão olímpico”, contou em diversas ocasiões, demonstrando seu espírito esportivo e as vicissitudes da vida.