Edição nº2585 11/07 Ver edições anteriores

Luís XVI a passeio no Brasil

Fico imaginando Luís XVI, rei francês deposto e decapitado durante a Revolução Francesa (1789-1799), viajando no tempo e no espaço para desembarcar em Brasília hoje. Ele se sentiria em casa. Encantado com alguns aperfeiçoamentos que fizemos em seu sistema de governo, talvez ele até resolvesse se mudar para cá.

Para o monarca, Brasília talvez fosse uma versão moderna, só um pouquinho mais árida, de Versalhes, sede do poder na sua época e para onde as riquezas de toda a França migravam. A incapacidade da nobreza do Planalto de compreender a realidade do resto do País certamente lhe seria familiar.

Logo ele reconheceria a toda poderosa família real, as decisões intempestivas do rei e seus príncipes-pimpolhos, e os alegres conselheiros reais. Provavelmente, estranharia que o mais influente entre todos viva na Virgínia, nos Estados Unidos.

No Congresso, Luís XVI veria a corte, suas mordomias e a convicção de que as regras que valem para os demais não têm de valer para os nobres. No funcionalismo público, veria uma aristocracia moderna, sustentada pela riqueza produzida pelo povo, mas pouco sensível às suas mazelas.

Seriam as lagostas do STF os famosos brioches da rainha consorte Maria Antonieta? E as dezenas de bilhões de reais pagos anualmente a funcionários públicos, inclusive aposentados, que independente de seus resultados, recebem bônus de desempenho. “Nem nós tivemos isso”, diria. E os auxílios para moradia, creches, paletós, livros, esposas e filhas solteiras pensionistas e até cachorros com cinco patas: “Como nunca pensamos em algo assim?”

A notícia da falência do setor público por excesso de gastos lhe soaria familiar. A decisão de excluir o funcionalismo estadual do duro e necessário ajuste da Previdência para evitar que o País colapse, provavelmente, mais ainda.

A Revolução Francesa aconteceu há 230 anos, mas a julgar pelo comportamento dos políticos e do setor público brasileiros, a notícia ainda não chegou a todos por aqui. Seria prudente que chegasse. Mais prudente ainda seria se nossos políticos aprovassem uma Reforma da Previdência ampla, profunda e que atinja com firmeza nossa corte, nossos nobres e nossa aristocracia, antes que o revolucionário Robespierre e o diligente doutor Guillotin, com seu instrumento de decapitação, pensem também em viajar para cá na mesma máquina do tempo.

Diante das lagostas do STF e outras mamatas, o rei guilhotinado diria: “Nem nós tivemos isso”. É melhor arrumar a casa antes que Robespierre apareça

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Ricardo Amorim

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