Por décadas, Lucy Borges construiu sua trajetória na moda a partir do corpo e da imagem, iniciando a carreira ainda na adolescência e passando pelo circuito internacional nos anos 1990. Aos 50 anos, ao retomar a atuação em um mercado que historicamente invisibiliza mulheres maduras, ela transforma essa vivência em discurso no livro autoral “Meus 50“, com lançamento previsto para janeiro de 2026.
A obra nasce da escrita, hábito antigo que sempre funcionou como ferramenta de elaboração emocional. “Sempre gostei de escrever. Desde criança, a escrita virou meu jeito de organizar pensamentos e lidar com emoções”, conta Lucy. Em momentos de ruptura pessoal, como a separação e a distância da filha, escrever deixou de ser registro e passou a ser necessidade.
Sem a intenção de criar manuais ou discursos motivacionais, Lucy reúne reflexões sobre escolhas, amadurecimento e liberdade, a partir de uma vivência que contraria a lógica de um mercado ainda pautado pela juventude. “Não quero ditar regras, mas percebi que meu modo de ver o mundo impactava algumas pessoas”, explica.
As imagens que no livro, em grande parte assinadas por Cláudio Belizario, reforçam essa postura. Produzidas durante a pandemia, as fotografias evitam idealizações, com pouca produção e sem filtros. “Era só o que a gente estava vivendo”, resume Lucy.
Meus 50 traz a memória, intimidade e reflexão a partir de um ponto ainda pouco explorado na moda e na cultura: o da mulher madura que se recusa a desaparecer. O livro consolida Lucy Borges não apenas como modelo 50+, mas como autora que transforma a própria trajetória em narrativa.