O ensaio técnico da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, foi além do samba no pé e da preparação para o desfile oficial. Luciana Picorelli, atriz e rainha de bateria da União do Parque Acari, transformou sua passagem pela avenida em um verdadeiro manifesto artístico, resgatando a força simbólica das vedetes que marcaram a história do carnaval, do teatro e da televisão brasileira.
Com carisma, corpo natural e presença cênica marcante, Luciana surgiu como uma vedete clássica, unindo sensualidade, elegância e identidade cultural.
De leque nas mãos e cigarrilha cênica, atravessou a Sapucaí com desenvoltura e emoção, reforçando o carnaval como espaço legítimo de expressão artística, memória e liberdade.
Carnaval como resistência e representatividade
O desfile também lançou luz sobre mulheres historicamente marginalizadas, com destaque para as travestis, figuras fundamentais na construção da estética e da identidade do carnaval brasileiro. A apresentação celebrou essas trajetórias como símbolos de coragem, beleza e resistência.
O resultado foi um ensaio técnico transformado em espetáculo, reafirmando o carnaval como território da diversidade, da arte e da consciência social. Com a performance, Luciana Picorelli se consolida como um dos grandes destaques da Série Ouro no Carnaval 2026, provando que, quando samba e arte caminham juntos, a avenida se transforma em palco de história viva.
Homenagem
A performance também foi uma celebração à classe artística brasileira. Luciana prestou homenagem ao diretor Maurício Sherman, nome fundamental da televisão nacional e responsável por revelar gerações de artistas no Zorra Total, além de reverenciar Chacrinha, ícone da irreverência, da ousadia e da valorização do artista popular.
Em um cenário onde muitas rainhas apostam em produções milionárias mesmo nos ensaios técnicos, Luciana fez uma escolha consciente: priorizou conceito, história e representatividade, mostrando que o verdadeiro luxo do carnaval está no significado e na mensagem transmitida.
“Minha homenagem é para todas que foram silenciadas. Ser vedete é ser arte, liberdade e resistência. O samba também é memória, luta e representatividade”, afirmou.