Lorenzo Quinn: Mãos para defender grandes causas mundiais

Lorenzo Quinn: Mãos para defender grandes causas mundiais

Depois do beijo, um dos maiores símbolos do amor e do apoio é dar as mãos. A união vale para casais apaixonados, pais com suas crianças, adultos com idosos, e assim vai. Para melhorar o clima das pessoas antes de a vacina chegar, exploro na coluna de hoje a temática e a obra de Lorenzo Quinn (Roma, 1966), um importante artista contemporâneo que produz esculturas de grande escala. Seu trabalho é profundo, espiritual e existencial porque lida com as paixões que experimentamos como seres humanos, explorando temas que fazem parte de nossa cultura e do nosso tempo.

Chegou a ter uma breve carreira de ator por ser filho do ator mexicano-americano Anthony Quinn, mas logo decidiu por uma outra jornada artística, que começou na New York University e, depois, foi aprimorada na American Academy of Fine Arts, de Nova York. Seus esboços despretensiosos e exercícios puramente acadêmicos tornaram-se importantes esculturas, sempre inspiradas em mestres como Michelangelo, Bernini e Rodin.

Para Quinn, as mãos contêm o poder de amar, odiar, criar e destruir. Por isso, fez a escolha como temática do seu trabalho e segue produzindo enormes obras com pares de mãos que, juntas, representam valores universalmente essenciais como amizade, sabedoria, ajuda, fé e esperança, além de amor. Fez importantes esculturas em instalações monumentais. Dominou espaços públicos e posicionou ainda mais seu nome no cenário mundial depois da Bienal de Arte de 2019.

Com Quinn, as ideias criativas ganham vida rapidamente. Ele diz que sua inspiração vem em um milissegundo e que aproveita a energia cotidiana da vida para esculpir. Mesmo assim, cada um de seus projetos consome meses de trabalho contínuo, começando com um texto explicando o propósito da escultura. Vale dizer que esse conteúdo poético acaba exibido com a escultura finalizada, como parte integrante da obra.

Com muitas obras em destaque, “Building Bridges” chama a atenção por ser uma escultura colossal (20 metros de largura e 15 metros de altura), composta por seis pares de mãos para representar os valores essenciais das pessoas e destacar que é possível superar diferenças para construir um mundo melhor. A instalação lembrava visualmente as famosas pontes que caracterizam a cidade de Veneza, que é patrimônio mundial da humanidade. Essa forte mensagem de união e paz mundial é sensacional, ainda mais em tempos de Covid-19.


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O primeiro par de mãos simbolizava a amizade, com duas mãos sendo delicadamente tocadas. A sabedoria foi representada por uma mão velha e uma jovem, dando a ideia de que conhecimento pode ser transmitido de geração para geração. O apoio foi simbolizado por duas mãos conectadas, simbolizando a empatia e a compreensão em um estado de apoio físico, emocional e moral, que constrói relacionamentos duradouros. Fé foi apresentada por uma pequena mão segurando os dedos de um pai como uma atitude de fé cega. Esperança foi demonstrada por dedos entrelaçados, representando o otimismo para o futuro. E, amor, por mãos fortemente entrelaçadas, como deveria acontecer com todos os casais.

As mãos de Lorenzo Quinn estão espalhadas pelo planeta. Só para citar algumas obras, nos Estados Unidos, as Nações Unidas encomendaram “The Tree of Life”. Na Europa, o Vaticano o contratou para esculpir a imagem de Santo Antônio para a Basílica de Pádua, em comemoração de o 800º aniversário do nascimento do santo. A escultura foi abençoada pelo Papa e, até hoje, é uma das obras mais visitadas na cidade. Em Doha, instalou uma de suas maiores esculturas públicas, com oito toneladas, mostrando um par de mãos de adultos colocando o mundo nas mãos de uma criança. Na Espanha, produziu um monumento vivo, “Legacy” (2006), para homenagear a história das cerejeiras da cidade.

A catástrofe e a pobreza também foram temas de seu trabalho com “The Force of Nature II”, criada por cauda do tsunami de 2009 para beneficiar organizações sem fins lucrativos; com “Happy Hearts Fund”, desenvolvida para reconstruir comunidades após desastres naturais; e com “March” para destacar a resiliência humana e pedir apoio para africanos impactados pela pobreza econômica.

Lorenzo Quinn foi escolhido pelas Nações Unidas para alertar o planeta sobre as mudanças climáticas. Criou uma escultura monumental que ancora a parede de um edifício italiano para lembrar que o aumento do nível do mar é preocupante e ameaça não só Veneza (que recentemente teve a pior enchente dos últimos 50 anos), mas todas as cidades costeiras do mundo. Um par de mãos emerge do Grande Canal de Veneza para proteger e apoiar o edifício histórico do Ca ‘Sagredo Hotel. A instalação foi levada para a COP25 em Madrid para aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas e ilustrar a capacidade da humanidade de causar danos ao meio ambiente. Como artista, sempre tentou ser coerente, ajudando a construir um mundo sustentável. Sua arte sempre refletiu essa mensagem e as mãos da obra mostravam que é, sim, possível fazer uma mudança duradoura e positiva para as próximas gerações.

Dadas as enchentes recordes que atingiram Veneza no início deste mês, atingindo os níveis mais altos em mais de 50 anos e deixando o patrimônio mundial afundado em quase dois metros de água, o alerta de Quinn soa mais urgente do que nunca. Enquanto ‘ Support’ cria uma sensação de medo ao destacar a fragilidade do edifício veneziano cercado por água, as mãos que seguram as paredes de um edifício nos lembram de nossa capacidade de reequilibrar o mundo e resolver questões globais, como as mudanças climáticas.

Ao longo dos últimos anos, Quinn tem participado de várias exposições internacionais nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, além de continuar criando obras para importantes espaços públicos. O artista romano defende que é essencial encontrar um equilíbrio na vida e que isso é possível com a ajuda das pessoas que nos cercam, “sem as quais flutuaríamos para a perdição”.

Acho sensacional o pensamento dele: “quando tudo ao nosso redor parecer estar em frágil equilíbrio, é importante saber que se desabar, teremos alguém para segurar nossa queda”. Certamente, para esse apoio, nada melhor do que mãos gigantes. Se tiverem uma boa história para compartilhar, por favor lembrem de mim. Aguardo sugestões pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou pelo Twitter.

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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