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Londres envia segundo navio de guerra ao Golfo

Londres envia segundo navio de guerra ao Golfo

(Arquivo) O navio HMS Montrose ao entrar em conflito com embarcações iranianas que ameaçavam um petroleiro britânico no Golfo do México - AFP/Arquivos

O Reino Unido vai aumentar temporariamente sua presença militar no Golfo, enviando para a região um segundo navio de guerra – informaram nesta sexta-feira (12) o governo britânico e uma fonte da defesa em um contexto de crescentes tensões com Teerã.

O destróier “HMS Duncan” viaja para o Golfo para se juntar à fragata “HMS Montrose”, já no local, a fim de continuar a garantir a “liberdade de navegação” na área, declarou um porta-voz do Executivo britânico.

A implantação, que estava programada, foi antecipada, disse uma fonte do governo, segundo a qual ambas as embarcações permanecerão na região por algum tempo.

No início da semana, uma fonte do governo informou que o Executivo também elevou ao máximo o nível de alerta nas águas territoriais iranianas para os navios britânicos e fez recomendações de segurança para as companhias que operam na região.

A tensão no entorno do Estreito de Ormuz, por onde transita quase um terço do petróleo bruto mundial pela via marítima, sofreu uma escalada nas últimas semanas. Na origem dos acontecimentos, estão ataques de autoria desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano por parte do Irã.

“O Irã deveria ter cuidado. Está entrando em um território muito perigoso”, declarou o presidente americano, Donald Trump, nesta sexta-feira, à imprensa em Washington.

Acusada por Washington de estar por trás dessas sabotagens, Teerã nega qualquer envolvimento. Além disso, denuncia a vontade dos Estados Unidos de “provocar um choque” no setor, por meio da imposição de sanções severas e de um embargo às exportações de petróleo.

Já a Câmara de Representantes dos Estados Unidos, controlada pela oposição democrata, aprovou um projeto de lei nesta sexta-feira que proibe o financiamento de operações militares contra o Irã, exceto em caso de missões de defesa própria ou explicitamente aprovadas pelo Congresso.

Uma medida parecida fracassou no Senado, controlado pelos republicanos de Trump, e as duas casas deverão negociar os termos para concluir o projeto de lei de defesa.

– Detenções em Gibraltar –

Um novo episódio se somou à lista de incidentes na quarta-feira, quando a Marinha militar iraniana tentou – segundo o Reino Unido – “impedir a passagem” pelo Estreito de Ormuz de um petroleiro britânico. O “HMS Montrose”, que foi em seu socorro, teria tido de “lançar advertências verbais” aos iranianos para que recuassem.

Os Guardiães da Revolução – Exército ideológico do governo iraniano – negou qualquer “confrontação” recente com navios estrangeiros.

Este incidente foi registrado depois que o presidente iraniano, Hassan Rohani, alertou os britânicos, também na quarta-feira, para as “consequências” da retenção, por parte de Londres, do petroleiro do Irã “Grace 1”, na costa de Gibraltar.

A embarcação foi apresada em 4 de julho pela polícia e pela Alfândega de Gibraltar, com a colaboração da Marinha Real britânica, ao longo desse território situado ao extremo-sul da Espanha.

Gibraltar alegou suspeitar de que o navio tivesse como objetivo levar petróleo para a Síria, o que violaria sanções europeias contra o governo Bashar al-Assad. Teerã nega a acusação e denuncia um ato de “pirataria”.

Nesta sexta-feira, a polícia de Gibraltar prendeu dois oficiais do petroleiro. Ambos são de nacionalidade indiana, assim como o capitão e outro oficial detidos na véspera.

As tensões na região do Golfo se intensificaram desde que os Estados Unidos se retiraram, no ano passado, do acordo nuclear firmado entre o Irã e as grandes potências, em 2015, em Viena.

Ontem, Washington confirmou sua intenção de formar uma coalizão internacional para escoltar os navios comerciais no Golfo.

Esta operação internacional deve ser executada “nas próximas semanas”, declarou o general Mark Milleya diante de uma comissão do Senado americano.

Algumas lideranças europeias parecem reticentes a comprometer meios militares nesta região, onde qualquer disputa pode levar a um conflito aberto.

“A França nunca está obrigada a seguir um aliado em um conflito”, declarou ontem o chefe do Estado-Maior francês, general François Lecointre.

Paris “está em uma lógica de desescalada”, tentando salvar o acordo nuclear, disse à AFP uma fonte do governo.