SÃO PAULO, 28 JAN (ANSA) – O saber culinário que desembarcou no Brasil com imigrantes italianos e de outras origens, os quais continuaram a compartilhar receitas entre gerações por meio da oralidade, se materializou no livro “Cozinha Com Afeto: Sabores que Contam Histórias”.
A obra, recém-lançada em São Paulo pelo Convita, antigo Patronato Assistencial Imigrantes Italianos (PAII), em parceria com o Colégio Dante Alighieri, é resultado do projeto “La Cucina delle Nonne” (“A Cozinha das Avós”), que desde 2021 realiza, mensalmente, oficinas ministradas por idosas sobre especialidades gastronômicas de família.
“A cozinha sempre foi uma forma de unir as pessoas, então decidimos lançar o projeto ainda na pandemia”, contou à ANSA Neide Oliveira, responsável de relações institucionais do Convita, sobre o início de “La Cucina delle Nonne”.
As páginas de “Cozinha com Afeto” apresentam receitas como a focaccia da imigrante Pasqualina Parente Tabano, 78 anos, que veio da Itália ao Brasil com os pais e os nove irmãos quando tinha quatro anos de idade. No livro, ela revela inclusive seu segredo para deixar o famoso pão do Belpaese “mais leve e digestivo”.
No caso de Leila Cairo, neta de italianos que desembarcaram em São Paulo no início da década de 1910, a receita da caponata de berinjelas, tradicional antepasto do sul do país, foi passada de sua avó materna, Angela Ciolli, para sua mãe, Wilma, nascida no Brasil, antes de chegar a ela.
“Com o tempo, fomos incrementando, abrasileirando, colocando as passas, por exemplo”, conta Leila no livro.
Um dos maiores símbolos da gastronomia italiana, as massas são a especialidade de Teresa Malorni Meale, de 84 anos, que vive no Brasil desde os 13. Para a obra, ela escolheu ensinar o passo a passo do talharim caseiro, sem esconder que também sabe fazer outros tipos de massa, como nhoque e fusilli, “como sua mãe, Angela Pietrantonio, a ensinou”.
Ao se casar com Antonio Meale, também italiano, Teresa pôde “praticar bastante na cozinha” com sua cunhada.
“Cada receita neste livro é um pedaço da vida de quem a compartilhou: são lembranças de infância, festas de família, colheitas do quintal, conversas demoradas à beira do fogão”, diz a introdução do livro, reforçando tratar-se de “histórias que resistem ao tempo e que, agora, encontram novos caminhos para permanecer vivas”.
De forma a não perder esse saber culinário, que tem se afastado cada vez mais de jovens nascidos a partir do fim dos anos 1990, devido à maior interação com o mundo virtual, Oliveira destaca que as receitas também estão disponíveis em plataformas como Youtube e Instagram.
“É uma forma de fazer chegar este saber às novas gerações”, explicou. (ANSA).