Mais do que resgatar a trajetória e a obra de Athos Abramo, um dos pioneiros da crítica teatral paulista, numa época em que esta atividade ainda se formava, o livro “Athos Abramo – o Crítico Reencontrado” é importante documento sobre uma notável família de descendentes de imigrantes italianos, responsável por revolucionar o meio jornalístico no século 20. Com seus projetos editoriais nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, os Abramo imprimiram seu nome como uma família influente na arte, na política e na imprensa brasileiras. As resenhas de Athos e o depoimento da filha, a professora Alcione Abramo, são registros fundamentais sobre a cultura e a urbanização de São Paulo nas décadas de 1940 a 1970.

Organização de Alcione Abramo e Jefferson Del Rios, a publicação do selo Lucias tem edição da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), entidade responsável, entre outros projetos, pela gestão da SP Escola de Teatro. Editada, em parceria com a editora Giostri e o Itaú Cultural, a obra terá preço de venda popular, de R$ 30.

Filho mais novo de uma grande família,Athose seus irmãos deixaram marcas de sua importância – Claudio foi o jornalista responsável pela reformulação / modernização dos dois principais jornais do País, O Estado de S. Paulo (1948-1963) e Folha de S. Paulo (1965-1987); Fúlviotambém jornalista de longa trajetória, trabalhou na icônica revista Realidade; Lívioilustrador e gravurista, teve reconhecimento internacional; Lélia, respeitada atriz de teatro, presidiu o Sindicato dos Artistas nos anos 70. Filha de Cláudio com a crítica de arte Radha Abrama, Bárbara Abramo é astróloga, irmã da designer gráfica Berenice Abramoe também do jornalista Cláudio Weber Abramo. Vale citar, ainda, o jornalista Perseu Abramo, sobrinho de Cláudio.

A seleção de críticas, a partir de recortes de jornais guardados em família e fontes documentais do Arquivo Público do Estado de São Paulo, resgata a história de alguns dos artistas mais importantes  do século 20. Em passagem sobre a saga da família, o leitor vai se deliciar ao saber que os irmãos Abramo vivenciaram o rico contato com artistas plásticos, escritores e poetas da Semana de Arte Moderna de 1922.

Entre passagens memoráveis, o leitor encontrará informações valiosas sobre a inauguração do Teatro de Arena, o TBC, a estreia de Roda Viva, além de trechos saborosos a respeito de Cacilda Becker, ainda no início de carreira, e a consagração de Antunes Filho. Além de reunir as críticas, programas, cartazes e textos, o volume traz Célia Helena (1936-1997), Décio de Almeida Prado (1917-2000), Maria Della Costa (1926-2015), Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974), Paulo Autran (1922- 2007); Raul Cortez (1932-2006), Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), Ziembinski (1908-1978) e Nelson Rodrigues (1912-1980), entre outros.

Jefferson Del Rios conta que “os integrantes da família Abramo sempre foram discretos quanto à  vida pessoal. Trabalhei, contratado, treze anos no jornal Folha de S. Paulo, e mais cinco como colaborador. Cláudio Abramo, ao me convidar para ser crítico teatral, não me disse ser irmão de Athos Abramo. Perseu Abramo, sobrinho de Cláudio e editor de Educação, não mencionou ser filho de Athos. Só em conversas com Lélia Abramo, tomei conhecimento do grupo amador ítalo-brasileiro I Guitti, e surgiu o nome de Athos Abramo”.

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Na visão de Del Rios, o livro amplia a documentação publicada sobre a história do teatro paulista “já presente em estudos de Décio de Almeida Prado, Miroel Silveira, Sábato Magaldi, Maria Thereza Vargas, além de teses e biografias escritas por outros estudiosos. Sob o risco de omitir nomes, cito Alberto Guzik, Berta Waldman, Berenice Raulino, Roseli Figaro, Armando Sérgio da Silva e o trabalho dos autores de biografias editadas na  Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial”.

Para Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro, “ao leitor contemporâneo, conhecer um período fundamental da história do teatro brasileiro pelas resenhas de Athos Abramo é uma experiência singular”. Ivam ressalta que “o contato com essa obra será capaz de despertar uma impactante nostalgia tanto aos que viveram quanto aos nascidos posteriormente a essa época em que houve a modernização de nosso teatro”.

Marcio Aquiles, um dos coordenadores editoriais do projeto, ressalta o caráter democrático dos textos de Athos “que abordavam montagens de Cacilda Becker a Ary Toledo, e a impressionante cobertura do trabalho de Procópio Ferreira no ano de 1945 (foram cinco textos sobre encenações das quais o ator participou)”. Para Aquiles, o livro “recupera fabulosas narrativas e mostra a militância de Athos em prol da popularização do teatro”.

Livro: “Athos Abramo: o crítico reencontrado”

Organização: Alcione Abramo e Jefferson Del Rios

Lançamento19/01/2023. SP Escola de Teatro – Praça RooseveltISBN: 978-65-84800-05-2.

Edição: Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), Itaú Cultural e Editora Giostri.

Preço: R$ 30,00.


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