Medicina & Bem-estar

Livres da quimio

Estudo pioneiro no Brasil usa teste genético para identificar mulheres com câncer de mama que não precisam recorrer ao tratamento para combater a doença

Maria (acima) e Sueli receberam há duas semanas a notícia de que não precisarão dos quimioterápicos (Crédito:Marco Ankosqui; Aneto Herculano;)

A secretária aposentada Sueli Bonezi e a dona de casa Maria Muniz estão entre as primeiras brasileiras beneficiadas por um novo modelo de tratamento de câncer de mama que livra da quimioterapia pacientes que, antes, receberiam os medicamentos como parte das ações contra a doença. Hoje, sabe-se, sem necessidade. As duas participam de um estudo pioneiro no País, conduzido pelo Hospital Pérola Byington, em São Paulo, referência em saúde da mulher, em parceria com o Grupo Fleury, uma das principais redes privadas de análise diagnóstica do Brasil.

O objetivo da pesquisa é testar nas brasileiras a eficácia do teste genético Oncotype DX, disponível somente no Fleury. A utilização do exame para identificar mulheres que podem prescindir da quimio foi o destaque do encontro desse ano da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. Ele analisa 21 genes vinculados ao tumor. Nos estudos apresentados nos EUA e no realizado no Brasil, está sendo usado em pacientes com tumor caracterizado pela presença de receptores para os hormônios estrógeno e progesterona, que representa 70% dos casos de câncer de mama.

Custo x Benefício

O teste confirma se é um tumor hormônio-dependente, fornece seu perfil e calcula o risco de a doença voltar após sua retirada cirúrgica. “Os de baixo e médio risco não precisam de quimio”, explica o médico Luiz Henrique Gebrim, diretor do Pérola Byington. Eles podem ser tratados com medicações que impedem a atuação dos hormônios. Os que apresentam chances altas exigem o reforço quimioterápico.

A pesquisa envolverá 600 pacientes. Por enquanto, mais de 70 fizeram a biópsia e 55 receberam o resultado. Destas, 38 foram dispensadas da quimio. Sueli e Maria não acreditaram quando ouviram que estavam entre elas. “Foi um alívio”, conta Sueli. Maria ouviu do médico que havia sido premiada. “Nem sei dizer como fiquei feliz.” O estudo identificará ainda o custo-benefício da implantação do teste na rede pública. Ele custa R$ 13,5 mil. O preço da quimio, no SUS, vai de R$ 10 mil a R$ 50 mil. Algumas operadoras de saúde já o oferecem. “Elas enxergaram seus benefícios”, diz Edgar Rizzatti, diretor executivo Médico e Técnico do Fleury. O sistema público inglês o adota também.

Segundo Rizzatti, do Fleury, algumas operadoras oferecem o exame (Crédito:Marco Ankosqui)