Comportamento

Literatura de resistência

Livreiros e leitores se unem para transformar o comércio de livros em uma experiência comunitária, opção bem distante da estratégia de vendas das grandes redes

Crédito: GABRIEL REIS
Divulgação

Todas as livrarias são parecidas, mas cada uma delas é uma alternativa à sua maneira. Em uma época em que as ofertas de livros pela internet são quase infinitas, há gente disposta a comprar em uma livraria pequena e até pagar mais caro por isso. A razão é simples: ler passou a ser também uma filosofia de vida, um ato de resistência das comunidades reunidas em torno desses charmosos santuários literários. Em vez de simples lojas de livros, esses pontos de encontro são espaços sociais voltados para os amantes das palavras – mesmo que à distância.

A Livraria Baleia, em Porto Alegre, é um exemplo de sobrevivência com estilo. Ao contrário do personagem que a batiza — o simpático cachorro de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos –, ela não deve morrer tão cedo. Além da venda pelo site, a livreira Nanni Rios promove eventos presenciais e online. “Tenho um público jovem e inteligente, mas sem muito poder aquisitivo. São leitores que participam de saraus e lives, mas na maioria das vezes não compram nada. Quando têm dinheiro, porém, eles escolhem a Baleia”. Esse engajamento tem sido essencial para manter os negócios da livraria Folhas Secas, no Rio de Janeiro, tradicional reduto de escritores e entusiastas na Rua do Ouvidor, no Centro.

Além da Amazon

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“Ler amplia o meu repertório. Gosto de conhecer os personagens, ver como eles pensam. Isso ajuda o meu trabalho”, afirma a psicanalista Bárbara Wehmuth, frequentadora de pequenas livrarias em Blumenau, Santa Catarina. “Trabalho ouvindo histórias e ler me faz perceber os caminhos que definem certos tipos de pensar.”

O mesmo ocorre com Léo Amaral, dono de um brechó, que é leitor voraz desde a infância, por influência da mãe, professora. “Sempre acreditei nos pequenos negócios. São iniciativas familiares. Quem os comanda possui relação afetiva com aquilo que vende”, diz. Para o livreiro Ricardo Lombardi, dono do Sebo Desculpe a Poeira, a melhor parte da profissão é montar a vitrine. “É um trabalho de curadoria. O leitor descobre aquilo que nem sabia que queria”. Lombardi oferece ainda produtos temáticos, como cervejas customizadas com fotos de escritores e camisetas com estampas literárias. Investe também em livros raros, como uma edição de “Grande Sertão: Veredas” autografada por João Guimarães Rosa. Ficou interessado em saber o preço? Talvez seja a hora de fazer parte dessa comunidade.

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