CARACAS, 5 JAN (ANSA) – Em sua primeira mensagem como presidente interina da Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez enviou na noite do último domingo (4) uma carta aberta ao mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir diálogo e o fim das hostilidades.
No documento, divulgado por meio de seu canal oficial no Telegram, ela apelou para ambos trabalharem juntos e por uma relação respeitosa entre os dois países, caracterizada por “paz e diálogo, não guerra”.
Rodríguez fez a declaração depois de presidir sua primeira reunião de gabinete, em Caracas. “Presidente Donald Trump, nosso povo e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Esta sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro, e é a posição de toda a Venezuela neste momento”, afirmou.
Segundo a mandatária interina da Venezuela, o país aspira a viver “sem ameaças externas, em um clima de respeito e cooperação internacional”.
“Acreditamos que a paz global se constrói garantindo-se, em primeiro lugar, a paz de cada nação”, declarou Rodríguez, convidando o “governo dos Estados Unidos a trabalhar em conjunto em um programa de cooperação, orientado para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
Mais cedo, Trump, por sua vez, chegou a ser pressionado por repórteres a bordo do Air Force One e disse que não conversou com Rodríguez, mas garantiu que ela “está cooperando” e que o governo dos EUA não lhe ofereceu nada em troca.
“Estamos lidando com pessoas que acabaram de assumir o cargo.
Não me perguntem quem está no comando, porque darei uma resposta que será muito controversa”, declarou Trump, enfatizando que “isso significa que nós estamos no comando”.
A carta de Rodríguez é divulgada após ela ter sido reconhecida como presidente interina da Venezuela depois de os Estados Unidos lançarem uma ofensiva em grande escala para capturar Maduro. Ele e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para Nova York, onde devem comparecer a um tribunal nesta segunda-feira (5).
O casal está preso no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, uma penitenciária federal de alta segurança. Maduro é acusado de quatro crimes, incluindo narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Flores, por sua vez, enfrenta acusações relacionadas a supostas operações de apoio logístico e financeiro à mesma estrutura criminosa, segundo documentos judiciais citados pela imprensa norte-americana. (ANSA).