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Líder da Série B, Cuiabá mantém visão de crescimento sem pressão pelo acesso

Líder da Série B do Campeonato Brasileiro com seis vitórias, três empates e apenas uma derrota, classificado para o mata-mata do Campeonato Mato-Grossense com a melhor campanha da primeira fase e atual campeão da Copa Verde, o Cuiabá vive uma boa fase. Ainda assim, todos na equipe procuram manter os pés no chão, focando em um processo de construção e melhora gradual do clube em vez de já mirar voos mais altos.

“Acho que esse bom começo é principalmente por conta do bom planejamento, a diretoria montou o time de maneira estudada, foi bastante pesquisado todos os jogadores que iriam trazer e o clube já tinha feito uma campanha boa o ano passado. Mantiveram o treinador, que já conhece a competição e já conquistou acesso, trouxeram atletas já familiarizados com a Série B e que são experientes”, afirmou o volante Auremir.

O técnico Marcelo Chamusca concorda com essa avaliação. “O time vem se estruturando, fazendo aquilo que eu acredito que seja o planejamento ideal para o crescimento de uma equipe. E, devido a isso, consegue dar boas condições de trabalho, tem organização interna, paga em dia, tem condição de logística e condição financeira para montar uma equipe competitiva para um campeonato tão difícil como a Série B”, opinou.

Já sobre os aspectos táticos, Chamusca explica como trabalha a equipe e aponta caminhos para possíveis melhoras. “Eu procuro ter um conceito de jogo com cada uma das três fases bem trabalhadas. Eu tenho uma ideia bem definida para cada fase e vou alinhando ali com eles, dependendo também do adversário, o espaço que ele me proporciona. Acho que a gente pode melhorar um pouquinho a nossa fase ofensiva do jogo, saber enfrentar melhor adversários que jogam com as linhas mais baixas. A gente ainda tem essa dificuldade de construção e nisso podemos evoluir”, analisou o treinador.

Ainda assim, o técnico elogia a postura da equipe em jogos fora de Cuiabá. “A gente não difere de jogo em casa para jogo fora, procuramos sempre manter a mesma postura. A gente acredita que o campo é de quem vai lá e joga; o estádio pode até ser do adversário, mas o campo é de quem vai e se dispõe a buscar a vitória”, comentou.

Tanto treinador quanto atleta ressaltam as dificuldades extras trazidas pela pandemia do novo coronavírus: enquanto Auremir se preocupa com lesões e viagens em um curto espaço de tempo, Chamusca destaca a importância do setor de análise de desempenho para o Cuiabá na tentativa de evitar problemas físicos entre os jogadores, dando descanso assim que sinais de fadiga muscular são detectados.

Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá, alerta que se passaram apenas 10 rodadas e que é cedo para saber se o time vai brigar pelo acesso à elite do futebol brasileiro. “A gente tem que ser muito pé no chão. Quem conhece a Série B sabe que é muito difícil, é uma competição equilibrada e esse ano está mais equilibrada ainda. Acreditar a gente acredita desde o início, mas sabemos da dificuldade, não vamos ser marinheiros de primeira viagem. O Cuiabá está pensando em ser um dos quatro para subir para a Série A sim e estamos dispostos a fazer o investimento para isso”, afirmou o dirigente.

Chamusca faz coro com o discurso de Dresch. “Para seguir brigando, o time precisa manter esse espírito competitivo que vem demonstrando nos jogos, continuar trabalhando sempre pensando no próximo jogo, não ficar fazendo muitas projeções a médio e longo prazo, ainda mais em um campeonato atípico como está sendo esse. Também precisa ter o entendimento que a competição é extremamente nivelada e ficam muitos clubes se alternando no G-4. No mais, é continuar fazendo o que fizemos até essa rodada”, disse o treinador. Auremir projeta que apenas quando faltar 12 ou 13 jogos para o final do torneio será possível ter certeza de qual será a briga do time.

HISTÓRIA – O Cuiabá foi fundado em 2001, como um projeto do ex-jogador Gaúcho como um clube-empresa, e começou a jogar campeonatos profissionais em 2003 – já nas duas primeiras temporadas foi campeão mato-grossense. Em 2007 e 2008, por problemas financeiros, não conseguiu disputar torneios profissionais e em 2009 foi comprado pela família Dresch.

Empresários do ramo de borracha para recapagem de pneus, os Dresch já haviam patrocinado o clube anteriormente em 2003 e se interessaram em comprá-lo após a confirmação de que Cuiabá seria uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. Sob o controle da família, o time foi sete vezes campeão estadual e bicampeão da Copa Verde – no último título regional, em 2019, já tinha Marcelo Chamusca como técnico – e subiu até a Série B.

Dresch relata algumas melhorias recentes que o clube teve, tanto na infraestrutura física como de pessoal. “Investimos para ter um centro de treinamento próprio, completo. A gente investiu em todas as áreas do CT esse ano, campo de treinamento, academia, departamentos médico, fisioterapia, fisiologia, nutrição. O CT tem um hotel, que foi todo reformado. Antes o departamento médico era reduzido, tínhamos só um médico. A gente ampliou, temos um grupo multidisciplinar que não deixa a desejar para nenhum time de Série B”, contou.

Segundo o vice-presidente do clube, ainda há previsão de mais investimentos, como um gramado sintético para a Arena Pantanal e um hotel para a base. As categorias inferiores, inclusive, são um dos pontos nos quais o clube considera que precisa desenvolver melhor.

“Fazemos um trabalho de transição, procuramos envolver bastante o nosso sub-18 com o nosso profissional. Temos bastante jogadores que estão sendo alocados em times maiores, mas não tem um jogador do elenco profissional do Cuiabá que venha da categoria de base. Há dois ou três jogadores que fazem parte do elenco, mas não estão jogando. Estamos mudando esse projeto da nossa base para num futuro próximo a gente ter valores que vêm da nossa base. Vamos começar a reter esses talentos aqui”, projetou Dresch.

“Desde o ano passado, quando eu cheguei aqui, a gente já tem trabalhado na equipe principal com alguns jogadores. Alguns, inclusive, já foram emprestados para outros clubes e a gente já deu oportunidades no campeonato estadual para os que se destacaram na Copa São Paulo (de Futebol Júnior). Então, nossa ideia é de continuar integrando, ajudando o clube na formação dos atletas e se o atleta tiver talento, tiver personalidade e tiver condição de jogar, em todos os lugares onde eu passei sempre trabalhei muito com os jogadores de base e aqui a gente vai fazer o máximo possível para aproveitar também”, afirmou Chamusca.

Sobre a torcida, o clube espera que volte a empolgar os torcedores da cidade. “O Cuiabá já chegou a ter 4 mil sócios ativos. Hoje a gente está com 500, reduziu muito. A presença da torcida depende muito da fase do time, se a gente tivesse o público liberado, tenho certeza que os jogos teriam mais de 20 mil pessoas. Mas o sócio-torcedor, dentro do nosso orçamento, tem uma participação pequena, a maior parte do dinheiro vem mesmo de patrocínios e da televisão”, relatou Dresch.

Outro obstáculo que o clube considera é a ausência de adversários locais de bom nível – após a pandemia, por exemplo, viajou para enfrentar Goiás e Atlético Goianiense em amistosos e poder retomar o ritmo de jogo contra times de maior qualidade. Mas, caso o clube de fato conquiste o acesso para a Série A nesta ou em outras temporadas, a primeira meta é bem clara: se consolidar na primeira divisão, evitando ser rebaixado logo na sequência, e somente então pensar em objetivos maiores.

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