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LG Brasil prepara novos smartphones e aposta em 5G para crescer

Crédito: André Cardozo

Fabrício Habib no lançamento do G8S, em julho: novos produtos para o fim do ano (Crédito: André Cardozo)

Esta semana bati um papo com Fabrício Habib, gerente-geral de produtos móveis da LG Brasil. Falamos sobre estratégias de mercado, concorrência e 5G, entre outros temas. A empresa terá três lançamentos até o fim do ano e aposta fortemente na migração para o 5G para aumentar sua fatia de mercado. Vamos então aos principais pontos da conversa.

Estratégia de mercado e lançamentos

A LG trabalha atualmente com três linhas de smartphones: K, G e V (a linha Q foi descontinuada). Neste ano, a principal medida da LG foi reforçar sua linha de smartphones básicos, a K. Ela ganhou mais modelos e passou a abranger uma faixa maior de preços, englobando aí também a fatia intermediária. “A linha K ganhou mais recursos das linhas superiores, e também se aproximou dos modelos mais caros no quesito design”, diz Habib. Ao longo deste ano a LG já lançou três novos modelos da série K (K12+, testado por aqui, Max e Prime).

Com o G8S, a empresa tem também um pezinho na fatia premium, atualmente dominada no Brasil pela rival Samsung e pela Apple. Para ganhar mercado no Brasil, a LG aposta em novos lançamentos neste fim de ano.

Habib revelou que a LG prepara mais três lançamentos até o fim do ano: dois novos modelos da linha K e um “smartphone premium”. O executivo não revelou qual seria este modelo, mas é bem possível que ele seja o G8X, primeiro smartphone da empresa com duas telas, apresentado há alguns dias na IFA 2019 (mais um pouco sobre ele adiante).

Já a série V atualmente é apenas composta de aparelhos com foco em 5G, então não devemos ver novos lançamentos por aqui tão cedo (o V35 chegou por aqui no ano passado, muito discretamente).

A migração para o 5G

Para Fabrício, o 5G não se restringe apenas a uma internet mais rápida para celular. “É isso também, mas é muito mais. O 5G vai ter impacto em como vivemos nas cidades, com melhor gestão de infraestrutura de serviços públicos, logística e outras áreas”, comenta.

Ele afirma que a LG está preparada para essa virada, que terá também impacto em áreas como automação residencial. Com o 5G será possível conectar à internet muito mais dispositivos do que atualmente e aqui vale lembrar que a LG também é um forte player em linha branca, com máquinas de lavar, aparelhos de ar condicionado, geladeiras, além das linhas de áudio e televisores. “Com o 5G será muito mais fácil conectar todos esses aparelhos, e a LG já tem sua solução de casa conectada pronta pra uso”, argumenta.

Voltando para o mundo dos smartphones, é fato que cada migração de tecnologia também ocasiona aumento na troca de celulares, à medida que os consumidores ficam ansiosos para aproveitar a maior velocidade e compram novos aparelhos. E a LG vê nisso uma oportunidade. “A cada migração de tecnologia vemos também que há movimentações no mercado de fabricantes de smartphones. Algumas empresas perdem espaço e outras sobem. Estamos de olho nesta oportunidade”, diz Habib. Segundo o executivo, mais da metade de todos os esforços de desenvolvimento da divisão de celulares da LG estão voltados para dois temas: 5G e segunda tela em smartphones.

Uma mudança no mercado certamente seria bem-vinda para a LG. Apesar de forte no Brasil, a empresa já há anos não está entre as cinco maiores fabricantes do mundo e normalmente entra na categoria “Outros” das consultorias de mercado.

A segunda tela em smartphones

G8X e suas duas telas: aposta no mercado premium (Crédito:Divulgação)

As telas dos smartphones cresceram, cresceram e hoje estão já perto das 7 polegadas. Para ter ainda mais espaço, os fabricantes estudam novos formatos de celular. Ainda é cedo para saber qual visão prevalecerá, mas pela conversa com Habib dá pra perceber que a estratégia da LG é bem diferente da de sua maior concorrente.

A resposta da Samsung é a tela dobrável do Galaxy Fold, que começou a ser vendido recentemente em alguns países. Já a LG aposta em uma abordagem mais convencional, do ponto de vista da engenharia. Em vez de uma tela que se dobra, o G8X ThinQ tem uma segunda tela destacável. Ela é encaixada em uma conexão física do aparelho, e pode ser removida a qualquer momento pelo usuário. “Há momentos em que você precisa de uma segunda tela, por questão até de produtividade. Em outros momentos, uma basta. Este formato dá essa flexibilidade”, argumenta Habib.

Ainda sobre duas telas, a visão da LG é que uma segunda tela é necessária para “fazer mais tarefas ao mesmo tempo” e não “fazer uma só tarefa com mais espaço”. Na prática, isso quer dizer que a segunda tela funciona de modo independente da primeira, como um monitor acoplado a um notebook.

Já no caso do Galaxy Fold, o usuário sempre leva a segunda tela consigo, precisando ou não dela. Este formato, no entanto, permite que as duas telas funcionem como uma só, algo que não é possível no G8X.

De modo geral, o modelo da LG é de implementação mais fácil, já que não exige criação de telas dobráveis nem grandes adaptações de sistema operacional e apps. Já a aposta da Samsung é mais ambiciosa e ousada, mas também mais exposta a riscos, como vimos no problemático lançamento do Galaxy Fold.

Concorrência chinesa

Neste ano o Brasil viu a chegada de duas gigantes globais: Huawei e Xiaomi. Atualmente segunda maior fabricante do mundo, a Huawei voltou ao Brasil com seu smartphone mais poderoso, o P30 Pro (testado por aqui). Já a Xiaomi, após uma tentativa fracassada há três anos, retornou ao Brasil oficialmente graças a uma parceria com a DL.

Embora sejam desconhecidas do grande público e tenham uma força de marca ainda pequena, essas empresas em tese têm cacife para investir a longo prazo no mercado nacional e competir com as empresas mais tradicionais, incluindo a LG.

“A LG vê esses concorrentes com muito, muito respeito”, enfatiza Habib. Ele argumenta, no entanto, que a LG tem uma presença robusta e antiga no Brasil, e uma relação de longo prazo com o País. “Temos duas fábricas no Brasil, um centro de Pesquisa e Desenvolvimento e mais de 3.500 empregos diretos, além uma relação muito próxima com o consumidor brasileiro”, diz.

O executivo enfatiza ainda os recursos de Pesquisa e Desenvolvimento globais da LG, que tem mais de 26 mil engenheiros. “Podemos dividir o mercado de smartphones em dois grupos: um deles é o dos fabricantes que pesquisam novos recursos, têm fábricas próprias e mais capacidade de inovar e levar essa inovação aos consumidores. Outro grupo é o dos ‘montadores’, aqueles fabricantes que apenas compram peças de fornecedores variados e exploram brechas conjunturais nos países. A LG certamente está no primeiro grupo”, afirma.


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