Em Cartaz

Lewgoy foi de Yale à chanchada

Mostra inédita traz 22 filmes de 54 anos de carreira de um ator sofisticado que fez papéis quase sempre de vilão de comédia

Crédito: Divulgação

VILÃO DE PLANTÃOO ator José Lewgoy como governador Felipe Vieira no filme “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha: um raro papel de destaque (Crédito: Divulgação)

Quando filmou “Fitzcarraldo”, em 1982, o diretor alemão Werner Herzog se encantou com o gênio de José Lewgoy em construir seu personagem. Herzog tentou conter a exuberância do astro Klaus Kinski, que não admitia que um rival o ofuscasse — e terminou por ofuscar Lewgoy. O episódio exemplifica a carreira do grande ator gaúcho José Lewgoy (1920-2003), um erudito que estudou teatro na Universidade Yale e, apesar da carreira de 54 anos, jamais foi protagonista de um grande filme. Morreu frustrado por ter de fazer papéis de vilão nas chanchadas da moda. Fez sucesso nelas e nunca se livrou do estigma. Mesmo assim, deixou um pouco de seu talento nos 100 filmes e 37 novelas de televisão em que trabalhou. A “Mostra José Lewgoy” reúne pela primeira vez 22 filmes com o ator, produzidos entre 1949 e 2003.“O potencial de Lewgoy não foi inteiramente aproveitado”, diz o cineasta Cláudio Kahns, organizador da mostra e diretor do documentário “Eu, eu, eu, José Lewgoy” (2011). “Seu legado está registrado em centenas de papéis, cada um deles no limite do que um ator pode fazer.” A mostra deve ser exibida em outros CCBBs. No CCBB-SP, de 18/4 a 7/5.