Milão, 25 de agosto – Leonardo Maria Del Vecchio, filho do finado fundador da Luxottica e chefe de estratégia da EssilorLuxottica, renuncia a todos os cargos executivos que ocupava na gigante do setor de óculos. A decisão, confirmada nesta terça-feira, visa a dedicação a novos projetos empresariais, em meio a críticas à gestão atual da companhia.
- Leonardo Maria Del Vecchio deixa cargos na EssilorLuxottica para focar em novos empreendimentos, citando gestão “distante e impessoal”.
- A renúncia ocorre em meio a disputas familiares pela herança de seu pai, Leonardo Del Vecchio, desde 2022.
- O executivo detém participação significativa em grandes grupos financeiros e comerciais da Itália por meio da holding Delfin.
Um porta-voz do grupo ítalo-francês EssilorLuxottica confirmou a saída de Leonardo Maria Del Vecchio. Além de ser chefe de estratégia, o bilionário também presidia a marca Ray-Ban. Ele é filho de Leonardo Del Vecchio, o visionário fundador da Luxottica, falecido em 2022.
Em nota oficial, a companhia agradeceu a Leonardo Maria pela sua contribuição. “Agradecemos a Leonardo Maria por ter contribuído para o crescimento do grupo e para a realização da visão estratégica desejada por seu pai. Desejamos a ele o mesmo sucesso em sua nova aventura”, declarou o porta-voz da EssilorLuxottica.
A renúncia foi comunicada por meio de uma carta ao CEO e presidente da EssilorLuxottica, Francesco Milleri, e ao conselho de administração. No documento, Del Vecchio criticou abertamente a gestão atual da empresa, classificando-a como “distante e impessoal”. Ele defendeu a necessidade de “colocar as pessoas de novo no centro” das operações da companhia.
Qual o panorama financeiro de Leonardo Maria Del Vecchio?
Leonardo Maria Del Vecchio é reconhecido como um dos homens mais ricos da Itália. Sua influência financeira é vasta: ele possui 12,5% da holding Delfin, que por sua vez controla 32,2% das ações da EssilorLuxottica, a maior produtora mundial de óculos e lentes. Além disso, a Delfin detém 17,5% do banco Monte dei Paschi di Siena, 10% da seguradora Generali e 2,7% do banco UniCredit.
Disputa familiar sobre a herança do patriarca
A saída do executivo ocorre em um contexto de tensões familiares. Desde a morte do patriarca Leonardo Del Vecchio, em 2022, há profundos desacordos entre seus oito herdeiros – seis filhos, a viúva Nicoletta Zampillo e um enteado – sobre a execução do testamento. A disputa pela vasta fortuna e controle do império familiar tem sido um ponto central de discórdia.
Conforme o testamento, cada herdeiro recebeu uma fatia idêntica de 12,5% na holding Delfin. Paralelamente, Francesco Milleri, que era um dos assessores mais próximos de Leonardo Del Vecchio, foi nomeado presidente tanto da Delfin quanto da EssilorLuxottica, além de assumir o cargo de CEO do grupo óptico.
Da IstoÉ com ANSA.