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Léo, do São Paulo, conta caso de racismo sofrido na infância: ‘A maior vergonha da minha vida’

Jogador contou a sua história para a SPFCTV e se posicionou contra o precoceito racial. Lateral está em alta no Tricolor e tem ganho minutos em campo com Fernando Diniz 

Léo, do São Paulo, conta caso de racismo sofrido na infância: ‘A maior vergonha da minha vida’

Peça importante do São Paulo comandado por Fernando Diniz, o lateral Léo está em alta no clube do Morumbi. Titular contra o Binacional, na última terça, o jogador contou sua história de vida para a SPFCTV, citou um caso de racismo sofrido na infância e se posicionou contra o fim do preconceito racial no país.

Nascido no estado do Rio de Janeiro, Léo teve uma infância pobre e, desde pequeno, apostou no futebol como profissão. Revelado na base do Fluminense, o hoje jogador do São Paulo relembrou do dia em que foi expulso de um shopping center por conta de sua cor. Segundo ele, aquele episódio foi a maior vergonha de toda a sua vida.

– Hoje, está muito nítido. Passei preconceito e partiu o meu coração. Ali eu pensei em desistir. Foi a primeira vez em que eu pensei em desistir e pensei que não dava mais para mim. Eu não aceito e nunca vou aceitar o racismo. Eu entrei em um shopping e eu fui mandado embora por causa da minha cor. Isso não existe. O cara virou e disse: ‘você está aqui para pedir dinheiro?’. Ele começou a me ofender. Eu era menino, cara. Como que você expulsa um menino de um shopping. Eu saí dali e pensei: ‘o que eu estou fazendo aqui? Eu não mereço isso’. O preconceito não é de agora, isso já vem de anos. A cor nunca pode definir o caráter de uma pessoa e uma coisa que meus pais e meus irmãos me ensinaram é ter caráter. Aquilo ali eu não desejo para ninguém. Foi a maior vergonha da minha vida. Você entrar em um local público, as pessoas te olhando e você ser expulso por causa do preconceito – contou o são-paulino.

– Eu mostro a minha indignação porque eu sou negro. Eu tenho que defender aquilo que eu sou. Eu sou negro, eu sou isso e pronto. Se você pegar, um presidente que foi exemplo foi um negro, o melhor jogador de todos os tempos é negro, os jogadores top do basquete são negros. E por que um negro não pode vencer na vida? Por que o negro é nojento? Essas pessoas não valorizam por conta de preconceito. Isso é uma vergonha – completou o lateral.

Contratado pelo São Paulo no início da temporada 2019 após boa passagem pelo Bahia no ano anterior, Léo demorou para engrenar com a camisa do clube do Morumbi. Competindo com Reinaldo pela posição de titular, o jogador teve poucas chances de demonstrar seu trabalho, mas seguiu trabalhando.

Neste ano, após conversar com Fernando Diniz e a comissão técnica, o jogador foi testado como zagueiro e ganhou a posição de titular durante algumas rodadas do Campeonato Brasileiro. Atualmente, Léo se reveza entre as funções de lateral-esquerdo e de zagueiro, mas vem sendo importante na temporada.

– O São Paulo foi uma escolha. O momento era de ir para o São Paulo. Sempre treinei, sempre trabalhei para estar no São Paulo. Sabia que uma hora o meu momento ia chegar. Fiquei quase dois anos só treinando, foram um ano e dez meses só esperando a minha vez. O mais importante era o grupo. Se eu treino bem, quem estava jogando ia jogar bem porque estaria preparado. Se os 11 estão ganhando, quem está no banco, quem trabalha na cozinha, o roupeiro, quem é o São Paulo também está ganhando. É você fazer o seu melhor porque uma hora ou outra a oportunidade vai surgir.

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